Crítica Homecoming S1: memória

Traumas do passado podem interferir em nossas vidas até o último de nossos dias. Os tormentos da mente são tão poderosos que muitas vezes desencadeiam reações impensáveis. Em alguns casos, são tristemente incapacitantes.

A necessidade de lidar com memórias doloridas está no centro de discussões da série Homecoming, uma produção da Amazon criada por Eli Horowitz e Micah Bloomberg. Com rápidos dez episódios de trinta minutos cada, a primeira temporada acompanha Walter Cruz (Stephan James), um veterano de guerra que aceita passar por um tratamento no Homecoming Transitional Support Center, do grupo Geist, com a promessa de ter suporte na transição para a vida civil.

No local, Walter conhece Heidi Bergman (Julia Roberts), uma assistente social disposta a ajudá-lo e com quem se torna cada vez mais íntimo. O que ele não sabe, todavia, é que está sendo drogado com uma substância experimental que afetará drasticamente as suas lembranças.

A premissa é muito boa – e a história é conduzida com as mãos seguras de Sam Esmail, diretor que está por trás da inventiva e instigante Mr. Robot. Em Homecoming, Esmail torna visual o desconhecimento. É interessantíssimo o achatamento de tela que há quando Heidi, seja no passado ou quatro anos no futuro, não sabe a verdade. A diferenciação, que num primeiro momento parece temporal, mostrasse mais bem trabalhada quando revela-se ser uma tradução do saber.

Assim como a direção, o roteiro também funciona. Os avanços são bem pensados e a história em nenhum momento parece sair dos trilhos. Entretanto, a polidez e a segurança acabam também trabalhando de maneira negativa, já que não há passagens realmente memoráveis.

Nós não nos surpreendemos com o que está acontecendo. Muito cedo já sabemos onde vamos chegar e não há desvios de percurso. O enredo é construído de uma forma um tanto engraçada: é possível até mesmo ficar na dúvida se o elemento suspense realmente faz parte ou não do pacote.

Às vezes parece haver mistério. No entanto, a sensação mais latente é de que as revelações pouco importam, o que está em jogo mesmo é a qualidade da jornada – e esta, por sua vez, é inquestionavelmente proveitosa.

Para completar o quadro de atores ainda temos Bobby Cannavale, que naturalmente transmite um ar de sedutor barato e dá vida para Colin Belfast, o supervisor de Heidi; Shea Whigham como Thomas Carrasco, um trabalhador do Departamento de Defesa que investiga o ocorrido no centro de suporte; e Sissy Spacek, que faz a mãe da protagonista.

É um trabalho interessante para ser abraçado por Julia Roberts, atriz oscarizada que acabou se rendendo à televisão. Homecoming pode não ser a atração mais primorosa a estar no ar, mas tem força suficiente para ficar em nossas memórias.

Nota (0-10): 8

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