Crítica Man in an Orange Shirt: a dificuldade para amar

Já próximo ao fim da II Guerra Mundial, Michael Berryman (Oliver Jackson-Cohen), então capitão no exército britânico, reencontra Thomas March (James McArdle), um amigo de infância. Eles rapidamente conectam-se um ao outro e se apaixonam. Com o fim do conflito, vivem uma breve história de amor interrompida pelo casamento de Michael com Flora (Joanna Vanderham, na versão jovem / Vanessa Redgrave, nos dias atuais).

Cerca de setenta anos depois, mesmo em um contexto completamente diferente, Adam Berryman (Julian Morris), neto de Flora e Michael, também enfrenta seus demônios internos por causa da sexualidade. Até conhecer Steve (David Gyasi), cliente por quem se apaixona, sua vida íntima é resumida a sexo casual com homens desconhecidos que encontra por aplicativos de celular.

Os paralelos entre esses dois relacionamentos gays dão o tom do drama Man in an Orange Shirt, telefilme dividido em duas partes com direção de Michael Samuels e roteiro de Patrick Gale. O trabalho, vencedor do Emmy Internacional de melhor minissérie ou telefilme neste ano, mostra com franqueza a dor vivida por muitos.

Não há pudor para exibir as cenas de afeto, um bom sinal do quanto a televisão já avançou ao abordar relacionamentos LGBTs. Todos os atores demonstram comprometimento e há química entre os casais.

A história, todavia, falha ao acelerar os fatos. Há muito para ser contado em pouco tempo. Logo, em determinados pontos reside certa artificialidade de construções que precisam levar a trama para um diferente nível sem preparar terreno para isso.

Ao fim da primeira parte, por exemplo, parece que o assunto é interrompido de maneira abrupta, sem o devido desfecho. Só a segunda parte, no presente, constrói uma cena com o tom de que um capítulo foi encerrado na vida dos envolvidos.

De qualquer forma, a história em si traz muitos pontos positivos para discussão. Na década de 1940, homens que se relacionavam com pessoas do mesmo sexo podiam ser presos no Reino Unido. Isso faz com que Flora aceite continuar em um casamento de fachada. O engraçado é que o marido pode se relacionar com outros homens, até mesmo em banheiros públicos, só está impedido de amar, de certa forma. Ela enxerga como uma vitória o fato de Michael ficar distante do amor de sua vida.

Esse egoísmo e essa raiva são despejados em Adam, que, mesmo em uma época muito mais aberta para a homossexualidade, sente-se aprisionado e com vergonha. Tais sentimentos refletem em sua capacidade de amar.

A vergonha de ser quem é nos afeta de diferentes formas. No caso de Adam, faz ter um amontoado de relações desprovidas de sentimento. Entretanto, em outros casos, pode gerar até mesmo uma impossibilidade de ligar-se de qualquer forma a qualquer pessoa.

O percentual de doenças mentais, como depressão, é mais elevado na comunidade LGBT do que entre heterossexuais. Produções como Man in an Orange Shirt podem ajudar a trazer o tema para discussão. Mesmo que rápida, a história é bem contada, relevante e bonita.

Nota (0-10): 7

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