Crítica House of Cards S6: a vitória amarga de Claire

Após uma quinta temporada com qualidade questionável, House of Cards esteve em meio a uma polêmica para além da sua narrativa ficcional. Com as denúncias de assédio sexual que pesaram sobre Kevin Spacey, então protagonista, o ator foi afastado da produção e coube a Robin Wright, que encarna Claire Underwood, tomar de vez o comando da Casa Branca e da atração.

As reviravoltas fora da tela compreensivamente geraram atraso para a entrega do material e afetaram como um todo a história, que de um ano para outro matou aquele que desde o começo conduzia a trama.

A sexta e última temporada, que estreou há poucos dias, tem a missão selar o destino dos demais personagens durante oito rápidos episódios. Enquanto Claire luta para manter-se na presidência, Doug Stamper (Michael Kelly) funciona como uma força ora oposta, ora complementar. Compete aos dois resolver todas as situações atreladas à vida e à morte de Frank. Nessa teia de intrigas, que tem seu ápice com os dois personagens em um embate final, também são movidas outras peças fundamentais.

Viktor Petrov (Lars Mikkelsen), o presidente russo, tem papel essencial para o sucesso de Claire na presidência. Quem não gosta muito da chegada dela ao poder são Annette (Diane Lane) e Bill Shepherd (Greg Kinnear), representantes da elite econômica que são capazes de atos nefastos para atingir a adversária. Em meio ao fogo cruzado também temos Mark Usher (Campbell Scott), o vice-presidente dos EUA, Duncan Shepherd (Cody Fern) e os jornalistas Janine Skorsky (Constance Zimmer) e Tom Hammerschmidt (Boris McGiver), entre outros. A série demonstra, entretanto, não dar muita importância para enredos secundários, já que não constrói desenlaces para o que não termina em morte.

Fins trágicos, aliás, há tempos deixaram de ter algum impacto na atração. Já há um saldo tão grande de baixas que elas não têm apelo algum. A banalização do recurso, já muito evidente na temporada passada, tira o brilho de House of Cards. Nós sabemos que qualquer motivo de discordância mais grave levará à morte os inimigos do casal Underwood – e as consequências sempre serão contornáveis.

Uma constatação muito triste para uma produção que, durante os anos iniciais, principalmente o de estreia, causou grande impacto e figurou entre as mais relevantes em exibição. Enquanto outras séries aclamadas pela crítica conseguiram manter-se bem até o fim, como Six Feet Under, Mad Men e Breaking Bad, aqui não temos o mesmo caso, infelizmente.

 

Leia a crítica de House of Cards S5

 

A direção sempre certeira e as ótimas atuações não escondem as imperfeições do roteiro repetitivo e às vezes confuso. Um caso clássico de atração que talvez tenha durado mais do que sua natureza permitia, deixando o espectador comum desorientado em meio a situações e figuras das quais pouco ou nada se lembra.

É uma lástima termos um começo tão potente transformado em um fim com vitória tão agridoce de Claire. Por mais que fosse a personagem mais interessante, acabou não ganhando o devido respeito que merecia. O maior problema provavelmente tenha sido o fantasma de Frank rondando a série durante todo o último ano. Melhor teria sido se ela tivesse enterrado ele e seguido adiante, sem mistérios relacionados à morte. A atração, ao não conseguir deixá-lo para trás, carregou os demais para o túmulo.

 

Nota (0-10): 6

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