Crítica BoJack Horseman S5: a repetição dos erros

BoJack Horseman, personagem-título da aclamada animação da Netflix criada por Raphael Bob-Waksberg, é um ser atormentado pelos diversos erros cometidos no passado. A dificuldade em conviver com memórias desagradáveis torna-o dependente de substâncias compradas para aliviar dores físicas – e utilizadas para anestesiar as dores da alma.

O cavalo protagonista, que está cercado por humanos, gatos, cachorros e uma infinidade de outros animais, luta desde o começo da atração contra demônios internos. Na quinta temporada, ganha novas batalhas com antigos propósitos.

A animação se sobressai às demais do gênero pela profundidade com a qual lida com temas muito humanos e sensíveis. Todo o glamour de Hollywood traz consigo uma decadência que traga muitos para o fundo do poço.

A produção não acerta apenas ao mostrar isso claramente, mas também ao ousar em seu roteiro. Como não achar interessante BoJack (voz de Will Arnett, no original) passar um episódio inteiro discursando no funeral da sua mãe para, no segundo final, descobrir que não é ela que está no caixão? Ou ter outro capítulo contado pela ótica de duas personagens secundárias, que mudam os nomes dos protagonistas para fofocar sobre a vida deles?

Há muitas séries que alteram, de diferentes formas, a estrutura padrão de suas narrativas ocasionalmente. Um exemplo é Mr. Robot, que colocou Elliot (Rami Malek) numa fantasia com cara de sitcom em determinado ponto do seu segundo ano. BoJack Horseman sempre soube fazer isso muito bem.

Neste ano, todavia, a atração mostrou certa fadiga incutida no seu âmago. Por mais que continue tão ácida como sempre foi, já não sabe mais aproveitar tão bem o potencial do material que tem em mãos – e isso reflete na trajetória dos personagens.

Diane Nguyen (Alison Brie) realmente teve um arco muito enfadonho. Ela está tão perdida na vida quanto na trama e não consegue arrancar uma risada nossa. Se estamos diante de uma comédia dramática, ocasionalmente é preciso rir de algo. E esse é o maior problema da série, que não desperta graça praticamente nunca, nem mesmo com as sequências bizarras de Todd Chavez (Aaron Paul) e seu robô sexual.

Sr. Peanutbutter (Paul F. Tompkins), que sempre trouxe frescor ao show, foi deixado de lado, infelizmente. Ele passou toda a temporada sem ter o destaque que merece – e ele merece bastante destaque, já que de longe é o mais carismático do grupo.

 

Leia a crítica de BoJack Horseman S4

 

Por outro lado, Princess Carolyn (Amy Sedaris) teve melhor desenvolvimento com a sua busca por um filho adotivo. Ela, que sempre relegou sua vida particular ao plano secundário, sofre uma mudança positiva.

Mesmo que continue recomendável, BoJack Horseman perde um pouco o seu apelo ao dar voltas e não conseguir sair do lugar. Errar é humano. Continuar errando é humano. Assistir a isso repetidas vezes nem sempre é tão interessante assim.

 

Nota (0-10): 7

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