Crítica Glow S2: as nuances do empoderamento

em

Um grupo de mulheres unidas que lutam entre si e contra os outros, estes sim os verdadeiros inimigos. Estrelas de um programa fictício concebido para entreter – e de uma série da Netflix que não apenas diverte, mas nos faz refletir. Glow, produção criada por Liz Flahive e Carly Mensch, estreia sua segunda temporada, que tem dez episódios, mais forte do que nunca.

Após ter o piloto aprovado, Ruth (Alison Brie) e suas companheiras estão na TV. Sob o comando do diretor Sam Sylvia (Marc Maron) e dos produtores Debbie (Betty Gilpin) e Bash (Chris Lowell), conquistam alguns fãs apaixonados e um tanto assustadores.

Assim como no ano anterior, Glow gasta a maior parte da sua energia com o arco principal, que consiste no trabalho das personagens. Igualmente como na temporada passada, ficamos com vontade de saber mais sobre elas, mesmo que isso não tire o brilho da atração.

Quando foca em dramas individuais, a série sai-se tão bem quanto quando está lapidando o coletivo. Tammé (Kia Stevens), por exemplo, protagoniza um dos momentos mais sensíveis e poderosos que já tivemos.  Ela, que é negra, começa a chorar durante a gravação ao ser subjulgada em frente ao filho, que assiste da plateia. Tammé tem consciência de que o texto que diz é ofensivo, assim como as demais mulheres sabem. Todavia, precisa se sustentar e, apesar das falas ruins, consegue mostrar sua força através da lutadora que é. O filho, perplexo com o que enxerga, mistura desapontamento e orgulho e consegue perceber que está diante de uma mãe batalhadora.

Esse momento é realmente lindo – um dos mais complexos e interessantes ultimamente vistos na televisão. De certa forma, a sequência consegue traduzir perfeitamente as nuances do empoderamento mostrado pela série no contexto dos anos 1980.

Se por um lado Ruth fica calada frente ao comportamento sexista de Sam, por outro consegue avançar em importância, mesmo que para isso acabe sofrendo o que nenhuma mulher nunca deveria sofrer. Sam, por sua vez, faz-nos oscilar entre o amor e o ódio por ser capaz de atos que vão do muito idiota ao acerto. Claro que parte do seu temperamento hostil resulta do amor que sente por Ruth – subtrama bem dispensável, diga-se de passagem.

A personagem de Brie, aliás, é quem tem os dramas pessoais mais irrelevantes. Se não bastasse a briga com Debbie, algo que aparentemente será deixado para trás, há agora o problema de aceitar o que sente por Sam.

O tempo dispensado com tal história poderia ser dado para Sheila the She-Wolf (Gayle Rankin) e Carmen “Machu Pichu” Wade (Britney Young), que são incríveis e aparecem pouco. Ou até mesmo para Bash, que trouxe uma trama bem pesada e ainda não tão desenvolvida. O personagem, que é gay, resolve casar ao saber que alguém que ama morreu em decorrência de complicações causadas pela Aids.

 

Leia a crítica de Glow S1

 

Acaba que o maior problema de Glow é ser muito rápida. Queremos ver mais, saber mais, que não acabe em um piscar de olhos como acaba. Esse sentimento só acontece quando a série é ótima – e Glow definitivamente é.

 

Nota (0-10): 9

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s