Crítica Westworld S2: realidades desumanas

Um enorme parque de diversão com robôs humanoides que estão ali para satisfazer os visitantes. Uma imensa área dividida em diferentes setores com máquinas que sentem, têm consciência própria e copiam informações de todos que por ali passam. Elas são o próximo passo da evolução e tentam entender os simples códigos que nós, os passageiros, somos.

Em sua segunda temporada, Westworld, série criada por Jonathan Nolan e Lisa Joy, aprofunda sua história, dá mais camadas para a trama e torna a missão de acompanhá-la um pouco mais difícil – manifeste-se quem não precisará assistir à temporada novamente num futuro próximo.

Por mais que nos encante com personagens fortes e cenas bem construídas, a produção ainda tem como maior trunfo a discussão sobre a natureza humana. Ao criar seres que reproduzem o mais fielmente possível o comportamento humano, Ford (Anthony Hopkins) nos dá um espelho que reflete uma aparência não inteiramente agradável.

Dolores (Evan Rachel Wood) é o melhor exemplo. Obstinada a ser livre e disposta a fazer tudo que acredita necessário para ir para o mundo que considera o único real, ela é capaz dos atos mais terríveis. A personagem lembra inúmeras figuras que povoam a nossa História. Ela perpetua a violência do qual foi vítima e transforma-se na anti-heroína perfeita para discutirmos se apoiamos ou não suas ações. Até que ponto podemos amá-la e a partir de onde ela assume feições de vilã?

A protagonista é capaz de machucar até mesmo Teddy (James Marsden) para alcançar aquilo que tanto almeja. Por mais que se sinta mal por determinados atos, avança sem questionar se sua jornada de destruição é correta ou não. É uma mistura de estadistas e líderes religiosos que vemos nos noticiários do dia a dia.

Nessa sua busca, que é representada por uma linha reta em direção ao ponto de chegada, deixa espaço para outros anfitriões nos apresentarem suas caminhadas. Maeve (Thandie Newton) acaba tornando-se facilmente nossa favorita. Não há como não se sensibilizar pela dor de uma mãe e ficar empolgado com os poderes adquiridos por ela. Newton, por sinal, assim como Wood, é uma ótima intérprete e merece o destaque obtido. Pena que sua personagem tenha ficado tanto tempo sem avançar na reta final.

Esse, aliás, é um dos problemas da série – para além de sua complicada narrativa. Muitas histórias são pausadas de maneira incômoda. Hector (Rodrigo Santoro), por exemplo, some por quase meia temporada e reaparece no momento oportuno, sem ser explicado o porquê de ter demorado tanto e o que fazia enquanto estava longe de sua amada. Akecheta (Zahn McClarnon), que ganhou um belíssimo episódio apenas para contar a sua história, é praticamente irrelevante nos outros capítulos. Westworld não sabe entrelaçar tão bem diferentes focos narrativos como Game of Thrones, que igualmente abandona personagens por longos períodos por ter muito a ser abordado.

 

Leia a crítica de Westworld S1

 

O que Westworld sabe fazer é tecer mistérios. Também se sai muito bem tecnicamente. Assim como as demais produções da HBO, seu objetivo é mostrar-se visualmente impecável. Certamente há uma qualidade superior ao que normalmente vemos na televisão.

Para encerrar, é preciso falar sobre Bernard (Jeffrey Wright), que tem um dos papéis mais importantes na temporada, e o Homem de Preto (Ed Harris). Enquanto o primeiro apresenta uma personalidade por vezes irritante, mas consegue sua redenção no fim e parece fundamental para a continuação, o segundo está preso em um ciclo entediante e não entendo essa recusa em tirá-lo da história em definitivo. A cena pós-créditos dá uma ponta de esperança, mas vai demorar para descobrirmos sua importância no futuro da série.

Não há previsão de quando a terceira temporada estreará. Enquanto isso, podemos teorizar sobre várias coisas e discutir, inclusive, sobre a nossa própria natureza. Você aceitaria ir para o Éden virtual?

 

Nota (0-10): 8

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