Crítica Champions S1: adolescência e homossexualidade

Vince (Anders Holm) e Matthew (Andy Favreau) são irmãos que administram uma academia em Nova York. Certo dia, sem mais nem menos, Priya (Mindy Kaling) bate na porta deles para avisar não apenas que Vince tem um filho adolescente, mas que Michael (J.J. Totah) passará a morar com o pai e o tio.

O enredo de Champions, comédia criada por Kaling e Charlie Grandy, não é tão atrativo. Todavia, seu diferencial reside na sexualidade do jovem, que desde o princípio deixa claro ser gay.

Totah, que anos atrás encantou ao apresentar uma versão melhorada da Rachel em Glee, é o destaque da atração. O ator é carismático e consegue encarar de maneira segura a missão de protagonizar uma série. São do seu personagem as piadas mais consistentes – não que tenhamos tantas e sejam tão engraçadas assim.

Ao contrário de Michael, que se parece com a mãe na maneira mais extrovertida de agir, Vince é alguém um tanto introvertido. Tem bom coração, mas nem sempre consegue deixar isso claro. Seus funcionários, aliás, sabem bem disso. Holm até está bem, levando em conta o pouco que pode fazer para nós nos afeiçoarmos a ele.

Já Matthew faz o estilo mais bobalhão do grupo. Sua figura é vendida como a do cara sexy e doce que tem qualquer um aos seus pés sem que faça força alguma. Apenas mais uma construção pouco inspirada, mas ao menos com a leveza necessária para encaixar-se satisfatoriamente com os demais elementos.

Tratando-se do roteiro, há um aspecto muito interessante a ser discutido. É fundamental que seja naturalizada a existência de crianças e adolescentes LGBT+. A série faz isso de maneira exemplar. A questão da sexualidade está presente, mas é vista de forma muito mais progressista pelos adultos em cena.

Entretanto, vale perguntar: o quão benéfico é trazer um texto onde simplesmente ninguém parece se importar se o jovem é gay ou hétero? Quando todas as pessoas não são preconceituosas, o sonho que esperamos um dia alcançar, isso parece bem descolado da realidade.

Estamos falando de ficção, logo cada cenário é montado como seus criadores bem desejarem. Por ser algo engraçado e para todos os públicos, é um bom ponto trazer a questão como algo sem implicações negativas. Temos um quadro muito mais favorável hoje para o jovem LGBT+. No entanto, ainda é exceção à regra. Assim como no Brasil, vemos que nos Estados Unidos há uma onda conservadora que não está disposta a desaparecer – e soa engraçado Michael seguir, ao menos no momento presente da trama, sem ser confrontado por algum imbecil.

É preciso deixar claro que a plena aceitação do pai é linda. Ele inclusive faz um jantar para aquele que acha que será seu futuro genro. Todavia, há todo um universo menos receptivo fora da sua casa. Não necessariamente ele precisa ser mostrado sempre, mas vale uma saudável discussão do quanto a supressão do fato é boa ou ruim.

Talvez esse seja o ponto que faça de Champions um produto que valha ser assistido. Uma reflexão sobre o quão positivo é um mundo mais evoluído. Esse é o próximo passo da representatividade na TV. E isso é incrível.

 

Nota (0-10): 6

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