Crítica Sense8 S2E12: desfecho feito com amor para os fãs

Após muita confusão, com direito a cancelamento e uma verdadeira batalha dos fãs contra a Netflix, a série Sense8, uma criação das irmãs Wachowski e de J. Michael Straczynski, retorna para o episódio final, que tem a missão de unir todas as pontas soltas em cerca de duas horas e meia.

Desde o seu minuto inicial, a atração mostra que não tem tempo algum para perder. Dificilmente alguém ficará entediado, já que há uma enxurrada de cenas de perseguição, tiroteio e traição. Por outro lado, essa pressa toda releva muitas vezes a construção frágil do roteiro.

Se a coesão nunca foi o ponto forte do enredo, agora mesmo que é deixada de lado sem muita cerimônia. Regras são quebradas sem explicação, personagens novos surgem sem acrescentar nada de muito significativo e figuras recorrentes reaparecem aos montes nisso que podemos chamar de uma verdadeira festa de encerramento.

Esse amontoado de situações levanta o questionamento: Matrix foi um golpe de sorte das Wachowski? Digo isso porque a trilogia não apenas perdeu o fôlego em seus títulos finais, mas foi sucedida por projetos cada vez mais distantes daquela visão inovadora que parecia imbatível em todos os quesitos.

 

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Em Sense8, o roteiro é ruim tratando-se de situações e de falas. Em determinado momento, Rajan (Purab Kohli), apenas mais um a descobrir e aceitar num passe de mágica a existência de sensates, fica extremamente feliz pela esposa, Kala (Tina Desai), ser uma assassina. Ele pede para ela, que em verdade é Wolfgang (Max Riemelt) naquele momento, ensiná-lo a atirar.

É perfeitamente admissível que o grupo precise matar para se defender. Todavia, soa um pouco incompreensível toda essa emoção com a violência partindo de uma produção que tem como marca principal ser progressista com relação à diversidade.

Além disso, frases de efeito desnecessárias, uma marca do programa, continuam sendo jogadas aqui e ali. A intenção de ser legal parece bem genuína, mas o resultado ainda é péssimo.

 

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Ao menos temos um elenco carismático para amenizar o problema. Lito (Miguel Ángel Silvestre), Hernando (Alfonso Herrera) e Daniela (Eréndira Ibarra) têm muita química. Nomi (Jamie Clayton) e Amanita (Freema Agyeman) formam o casal perfeito. Sun (Doona Bae), com seu jeito mais introspectivo, também nos conquista, assim como os demais.

Pena ser tantos protagonistas que é simplesmente impossível dar muito destaque para qualquer um deles. Riley (Tuppence Middleton) e Will (Brian J. Smith) passam despercebidos em muitas partes. Eles acabam sendo menos marcantes que Jonas (Naveen Andrews) e Angelica (Daryl Hannah), por exemplo.

 

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Passada toda a ação, chegamos ao derradeiro momento, que apenas repagina o que tradicionalmente acontece. Após isso, claro, não poderia faltar a habitual cena de sexo em câmera lenta com trilha musical elevada. Um desfecho feito com amor para os fãs, que foram os responsáveis pela existência deste capítulo.

 

Nota (0-10): 5

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