Crítica Ibiza: clichê consciente ainda é clichê

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Harper (Gillian Jacobs), uma jovem norte-americana, precisa viajar a trabalho para a Espanha e é acompanhada por duas amigas, Leah (Phoebe Robinson) e Nikki (Vanessa Bayer). Em uma festa em Barcelona, magicamente encontra o DJ Leo West (Richard Madden) e eles apaixonam-se loucamente um pelo outro.

A premissa de Ibiza, filme da Netflix dirigido por Alex Richanbach, não parece a melhor do mundo. Todavia, não se preocupe: ela ao menos está em conformidade com a qualidade da obra.

A produção não tem aspiração alguma de ser algo que você lembrará após os créditos finais e acerta em cheio nesse quesito. Não apenas repete fórmulas, mas faz isso sem muitas situações realmente engraçadas.

Em determinado momento Harper grita que sabe estar sendo clichê e, aparentemente, não há nada de errado nisso. Vamos fazer um pequeno exercício aqui para ver se há ou não há problema.

Se eu souber que matar é errado e mesmo assim assassinar alguém, eu ainda estarei errado, certo? Se eu estiver em um relacionamento monogâmico, souber que não devo trair meu parceiro ou minha parceira e mesmo assim sair beijando várias bocas – e outras partes do corpo –, eu ainda serei um demônio, certo? Então estar consciente de que o caminho que segui é ruim não me exime de culpa.

Logo, o veredicto do filme nesse quesito é: culpado por amontoar de maneira premeditada um monte de cenas que já vimos em outras comédias bobas. Mas o julgamento não acabou ainda. Vamos para o próximo ponto.

A começar pela chefe histérica que atende pelo nome de Sarah (Michaela Watkins), passando pelos diversos seios nus e o discurso final de que no momento do romance não se deve ser muito feminista, o filme, que é protagonizado por três mulheres, não consegue se afastar muito na linha machista abundantemente vista no cinema e na televisão. Há uma exposição do corpo de maneira muito desigual entre os gêneros e o conceito de correr atrás do príncipe encantado – que devemos enfatizar ser um DJ.

O veredicto do filme nesse aspecto é: culpado por fazer uma mulher correr atrás de alguém que tem profissão de ex-BBB.

Vamos falar do que deu certo. A trilha musical tem uma pegada latina, com direito a escutarmos as brasileiras Anitta e Pabllo Vittar. No fim das contas, pelo menos deu pra dançar um pouco.

 

Nota (0-10): 3

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