Crítica Rise S1: uma Glee sem brilho algum

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A série Glee foi um fenômeno. Com sua trama ágil e cheia de idas e vindas, números musicais animados e um elenco jovem disposto a discutir diversos temas, a produção deixou sua marca na história da televisão – mesmo que a sua qualidade tenha oscilado bastante.

Quem assistiu ao musical sente falta de algo para preencher essa lacuna. Até tivemos Smash, que não correspondeu às expectativas, Mozart in the Jungle, infelizmente cancelada recentemente, e ainda temos Crazy Ex-Girlfriend e Empire, todas sem a mesma essência – Nashville e Star nunca conferi, mas também parecem possuir um diferente apelo.

Quando foi anunciada a estreia de Rise, obra de Jason Katims e Jeffrey Seller baseada no livro Drama High, de Michael Sokolove, cresceu uma esperança de que finalmente teríamos uma sucessora, já que o enredo envolve jovens com diferentes problemas que são unidos pela arte, que neste caso é o teatro.

Já no primeiro dos dez episódios da temporada o público leva um banho de água fria. Não há cor alguma, nem na fotografia e tampouco nos diálogos, apenas um clima pesado que não é nada bem administrado pelos criadores.

Os pontos principais que toda atração deve desenvolver na relação entre os protagonistas e os espectadores são a cumplicidade e a empatia. Quando o roteiro é bom podemos amar até mesmo seres como Walter White e Don Draper. Um anti-herói bem construído sempre será bem-vindo, assim como aquele mocinho típico de bom coração. Tudo depende da qualidade narrativa e de como os atores são conduzidos.

Em Rise, simplesmente é muito difícil sentir apreço pela maioria dos personagens, a começar por Lou (Josh Radnor). O professor é uma pessoa definitivamente antipática, com rompantes de vaidade e sem tato. Se eu fosse a professora Tracey (Rosie Perez), já teria abandonado o colega na primeira vez que ele foi injustificavelmente estúpido.

E o que falar de Gwen (Amy Forsyth) martirizando os pais por eles se separarem? Estamos no século 21, é loucura ver uma jovem preferir que os pais vivam infelizes do que cada um construa sua própria felicidade de maneira independente. Os pais, por sinal, não animam tanto também. Enquanto a mãe pouco aparece, o pai faz o estereótipo de treinador de futebol americano. Este envolve-se com a mãe da estudante Lilete (Auli’i Cravalho), fato que gera mais alguma dose de drama desinteressante.

Há drama para todo lado e quase todos são mal abordados. Quando Maashous (Rarmian Newton) vai deixar a casa da família Mazzuchelli, por exemplo, há um clima de comoção que não ultrapassa a pequena tela, já que não houve tempo suficiente para passarmos a vê-lo realmente como um membro integrado ao grupo.

Outro exemplo é a abordagem da homossexualidade de Simon (Ted Sutherland). Nem o ator carismático salva a história, que claramente fica em banho-maria para chegar onde sabíamos que chegaria desde o princípio. A transexualidade de Michael (Ellie Desautels) até é melhor desenvolvida, provavelmente por ser menos abordada na mídia e, logo, um pouco mais surpreendente.

Como se não bastassem esses problemas, falta o principal elemento que tanto ansiávamos: música. Os números são escassos e repetitivos. Essa série é a prova de que até mesmo a fórmula de bolo que todo mundo sabe fazer pode dar muito errado.

 

Nota (0-10): 4

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