Crítica On My Block S1: a mesma história repaginada

Enquanto adolescentes mais velhos aproveitam a festa, Monse (Sierra Capri), Ruby (Jason Genao), Jamal (Brett Gray) e Cesar (Diego Tinoco) observam do outro lado do muro. Durante a conversa do grupo de amigos, um princípio de confusão ali perto resulta em tiros disparados – e os jovens correm tentando adivinhar, pelo som, qual o calibre da arma.

A cena inicial de On My Block, comédia criada por Eddie Gonzalez, Jeremy Haft e Lauren Iungerich, demonstra que essa é uma série diferente das demais do gênero. Em sua primeira temporada, que tem dez episódios, a produção usa a mesma fórmula já vista em tantas outras atrações juvenis. Todavia, faz isso de maneira inclusiva.

Os garotos brancos de família com boa renda dão lugar para protagonistas negros e latinos. Para completar o quadro de personagens principais, entra em cena Olivia (Ronni Hawk), que logo roubará o coração do pequeno Ruby e acabará relacionando-se com Cesar.

Uma boa dose de drama não falta para mover a trama: o mesmo Cesar que acaba ficando com a nova garota do grupo é apaixonado por Monse, que teme arruinar os laços de amizade caso assuma o que há entre eles. Cesar também passa a integrar, assim como o resto de sua família, uma gangue, mesmo que contra a sua vontade. Esse fato faz com que os demais unam-se para tirá-lo do submundo do crime, tarefa conduzida com mais afinco por Jamal, que funciona como principal alívio cômico da série.

Conforme apontado no decorrer da narrativa, toda boa produção precisa de uma subtrama misteriosa. On My Block tem a sua. Com o apoio da avó de Ruby, interpretada por Peggy Blow, Jamal inicia uma louca caça ao tesouro. O extremo carisma de Gray faz com que todas as suas participações sejam as mais engraçadas.

Carisma, aliás, não falta para o elenco. Os protagonistas exalam empatia e saem-se bem, apesar de Tinoco tropeçar na figura estereotipada do galã adolescente. Há ainda a presença recorrente de Jasmine (Jessica Marie Garcia), que oscila entre um bom humor e o exagero cansativo, tamanha loucura de seus atos.

No campo dos problemas, podemos citar um possível queerbaiting com Ruby. O enredo dá a entender muitas vezes que ele não é exatamente heretossexual, talvez nem mesmo cisgênero. No entanto, nunca avança nesse sentido. Pode-se argumentar que ele é muito jovem e acabará explorando mais sua identidade de gênero e orientação sexual nas próximas temporadas. Entretanto, o desenrolar de sua trama indica o oposto – ou seja, que as insinuações são apenas uma isca, um artifício qualquer que não será levado adiante. Se realmente for assim, é uma pena, até porque tal ação é muito nociva para a comunidade LGBT, além de frustrante.

Todavia, antes de alguma pedra ser jogada, é melhor esperar para ver o que ocorre no futuro – se ele existir, claro. Seria uma lástima que uma série tão interessante resvale em tal erro. Que uma segunda temporada esclareça todas as pontas deixadas e continue nos animando com uma trilha musical tão boa quanto a do primeiro ano.

Finalizo com Parachute, de Am!r, uma das muitas canções que embalam essa aventura juvenil.

 

 

Nota (0-10): 7

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