Crítica Jessica Jones S2: sem ritmo

A expectativa para a segunda temporada de Jessica Jones, série criada por Melissa Rosenberg, era alta. Após um ótimo primeiro ano, com um vilão marcante e trama consistente, a produção retorna durante a eclosão do movimento #MeToo e, de certa forma, é uma das melhores representações de uma nova era hollywoodiana. Não apenas criada e protagonizada por mulheres, a atração tem, neste ano, todos os seus treze episódios comandados por diretoras. O texto é permeado por pontos que abordam machismo, estupro e outros temas sensíveis. É, nesse aspecto, uma vitória. Entretanto, é inegável que o conteúdo tenha falhas que o prejudicam.

O que acompanhamos é uma história que se arrasta sem empolgar na maior parte do tempo. As poucas cenas de ação são mal conduzidas. A representação da força de Jessica (Krysten Ritter) é tão pouco crível quanto a de Punho de Ferro (Finn Jones), o elo mais fraco entre os Defensores. A edição não consegue trazer a adrenalina necessária para um trabalho que às vezes lembra o Chapolin Colorado, quando caixas visivelmente muito leves são jogadas para o lado.

Todavia, por mais que problemas técnicos dificultem a imersão na história, o grande equívoco está na elaboração do enredo. O roteiro nos faz odiar praticamente todos os personagens com alguma relevância em algum ponto da história – até mesmo a anti-heroína.

É interessante que Jessica enfrente seus demônios internos, mas isso não é o suficiente para segurar uma temporada inteira. Querendo ou não, estamos diante de uma série centrada na figura de uma pessoa com superpoderes e queremos ser entretidos. Além do mais, incomoda o drama excessivo dela por ter habilidades especiais e a falta de alguma atitude contra o alcoolismo.

 

Leia a crítica de Os Defensores S1

 

Podemos compreender o sentimento de Trish Walker (Rachael Taylor) com relação à autopiedade de Jessica. No entanto, a irmã e melhor amiga da protagonista definitivamente ultrapassou o limite do bom senso neste ano e fica difícil não detestá-la. Seu arco não apenas é irritante, ele culmina em uma cena forçada. Sua última grande atitude é extrema demais para qualquer pessoa que tenha um pingo de humanidade. Como ela poderia achar que seria facilmente perdoada por Jessica?

Trish não apenas tornou-se uma pessoa tóxica, ela tenta arrastar Malcolm Ducasse (Eka Darville) consigo. Este, por sinal, serviu mais para ficar passando pela tela sem camiseta do que para de fato ter espaço na história.

Salvaram-se de ser desagradáveis Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss), apesar de uma subtrama muito fraca, e Alisa (Janet McTeer), elemento mais chamativo da temporada. McTeer consegue passar através do olhar a força de sua personagem. Pena ser uma adição temporária.

Há também Oscar Arocho (J.R. Ramirez), mas pouco podemos falar dele. É lastimável que uma série tão progressista apenas inverta o papel destinado ao interesse romântico, que carece de maior desenvolvimento.

Após analisar todos os aspectos, fica a pergunta: seria Jessica Jones uma prova irrefutável de que a parceria da Marvel com a Netflix não é tão boa assim? Tivemos, sim, duas temporadas de Daredevil muitos boas, assim como os primeiros anos de Luke Cage e da própria Jones. Todavia, The Defenders deixou a desejar, Iron Fist foi muito criticada e The Pushiner é até mesmo difícil de terminar de assistir.

 

Nota (0-10): 5

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3 comentários Adicione o seu

  1. Sinceramente, está complicada essa 2a temporada de Jessica Jones. Eu comecei a assistir na semana q estreou e até hoje n cheguei ao terceiro episódio. E olha que quando eu gosto da série em 2 ou 3 dias eu finalizo a temporada inteira.

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    1. Minha situação foi parecida. Demorei até ontem para conseguir terminar de assistir — coisa que geralmente faço no fim de semana da estreia.

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  2. Pra mim essa temporada só salva os 5 primeiros episódios e um pouco do sexto, de resto foi desprezível. podia ter ficado na primeira temporada e tá de bom tamanho.

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