Crítica Mozart in the Jungle S4: amor e música

Música clássica é chata e feita por pessoas certinhas? Não mesmo. A New York Symphony, que está no centro das atenções da comédia Mozart in the Jungle, prova que não falta emoção, adrenalina, loucura.

Sob a batuta do insensato maestro Rodrigo (Gael García Bernal), o grupo faz um esforço extra para entregar o melhor resultado possível – assim como a série, que chega à sua quarta temporada com o mesmo frescor dos anos anteriores.

Indiscutivelmente, Rodrigo é um dos melhores personagens da televisão atualmente. Bernal, que já ganhou um Globo de Ouro pelo papel, consegue transmitir uma miríade de características, que vão da infantilidade à sedução. Play with the blood, frase repetida por ele inúmeras vezes, não sai da nossa cabeça.

Felizmente, há ainda outros personagens igualmente interessantes. Gloria (Bernadette Peters) parece crescer em importância a cada ano que passa e nos conquista com sua saga para não deixar tudo ao seu redor desmoronar. Cynthia (Saffron Burrows) mostra-se vulnerável em um momento de transição de sua vida, no qual é obrigada a deixar de fazer o que mais ama. Thomas (Malcolm McDowell) tenta passar a perna na própria companheira para conseguir os holofotes para si.

A única personagem do núcleo principal que não está em total sintonia com o grupo é Hailey (Lola Kirke), a protagonista. Boa parte do tempo afastada da orquestra neste ano, ela ruma um caminho de crescimento profissional e pessoal interessante, mas sem o mesmo encanto.

Ao focar no relacionamento amoroso de Rodrigo e Hailey, a temporada começa estranha. O poder da atração reside na música – e é perceptível que há um enfraquecimento ao afastar-se dela.

Quando o casal finalmente decide que está namorando e volta suas atenções para o trabalho, é como se voltássemos a acompanhar a velha e conhecida comédia pela qual nos apaixonamos.

 

Leia a crítica de Mozart in the Jungle S3

 

Assim como no ano passado, quando a Itália foi palco de boa parte dos episódios, também temos um passeio distante. Desta vez o grupo desembarca no Japão, país que mescla grandes avanços tecnológicos, principalmente tratando-se de inteligência artificial, e forte tradição.

Fukumoto (Masi Oka) pede para o maestro tocar uma versão alternativa de Réquiem, obra deixada inacabada pelo compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). De temperamento forte, Rodrigo fica furioso pelo fato de um robô ter finalizado o trabalho. Enquanto isso, sua namorada participa de uma competição para maestros – e a narrativa é utilizada perfeitamente para discutir o machismo no meio.

De volta aos Estados Unidos, o grupo nos brinda com um episódio final maravilhoso. As reviravoltas são críveis, levando em conta a loucura de Rodrigo, e acompanhamos uma apresentação emocionante. As diversas mudanças acabam abrindo caminho para um quinto ano imprevisível. A única certeza é de que estamos diante de uma produção que merece todo o reconhecimento do público e da crítica.

 

Nota (0-10): 9

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