Crítica Altered Carbon S1: dinheiro desperdiçado

Com base no livro homônimo de Richard K. Morgan, a série de ficção científica Altered Carbon, criada por Laeta Kalogridis, apresenta para o espectador um futuro onde a consciência pode ser digitalizada e restaurada em outro corpo, assim que o atual morre. Na prática, caso esse pequeno disco não seja destruído, qualquer pessoa pode ser imortal.

Obviamente não vivemos num mundo de paz e amor e quem detém a fonte da vida eterna são as pessoas mais abastadas. Para quem não dispõe de recursos, a realidade não é muito diferente do que vivemos hoje – pelo contrário, pode ser considerada ainda pior, levando em conta o grau de deterioração do planeta.

Nesse cenário acorda Takeshi Kovacs, prisioneiro que retorna em um novo corpo. Para ganhar sua liberdade e uma substancial soma que permita comodidade no futuro, ele aceita trabalhar para Laurens Bancroft (James Purefoy), que quer solucionar o mistério da própria morte.

Por mais que tenha uma premissa interessante, o que vemos a partir daí é um emaranhado de tramas paralelas que são adicionadas à história e tornam todo o cenário simplesmente desinteressante. A falta de habilidade em conduzir o material assemelha-se ao visto em Sense8, que igualmente não consegue unir suas pontas satisfatoriamente.

Se o passado de Takeshi está muito claro, não podemos dizer o mesmo do presente. Diferentes situações e personagens são apresentados de maneira confusa. A falta de foco dá pouca solidez ao enredo. Por mais que tudo o que presenciamos esteja interligado, é preciso uma clareza do público de qual história estamos acompanhando. E não há isso.

Boa parcela da culpa pela monotonia recai sobre a construção de personagens que não nos despertam empatia. Will Yun Lee até consegue trazer algum ar de simpatia para o Kovacs de ontem, mas definitivamente Joel Kinnaman não é capaz do mesmo. Verdade seja dita, ele seria perfeito para estrelar Blade Runner, levando em conta sua atuação robótica. Quando enfim esboça alguma reação que possa defini-lo como um ser humano vivo, já na reta final, falha miseravelmente em uma superficialidade de quem não consegue vestir o personagem.

Justiça seja feita, não é o único que parece não ter sido devidamente dirigido em suas cenas. Purefoy e Kristin Lehman, que encarna Miriam Bancroft, estão no piloto-automático em papeis sem espaço para brilharem. Martha Higareda, a policial Ortega, chama mais atenção pelo seu sotaque carregado do que pelas ações executadas.

Em contrapartida, salva-se Renée Elise Goldsberry e sua Quellcrist Falconer, a destemida líder dos Envoys. A atriz tem talento suficiente para tornar atrativa uma personagem sem muitas camadas. Também é possível ter algum apreço pelas figuras de Poe (Chris Conner) e, em especial, Lizzie (Hayley Law), que acaba deixando tanto seus pais quanto nós orgulhosos no fim.

Por mais que a trama não ajude, é preciso destacar que tecnicamente a produção é muito boa. A direção de arte consegue captar a essência desse futuro distópico, corretamente fotografado e carregado de efeitos especiais com quantidade e qualidade superiores ao que normalmente vemos na televisão. É uma lastima ter tanto investimento em uma atração que não consegue suprir nossas expectativas.

 

Obs: é interessante os personagens terem falas em diferentes idiomas.

Obs2: é frustrante pensar num futuro onde gênero ainda exista tão fortemente.

 

Nota (0-10): 4

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4 comentários Adicione o seu

  1. A ver e a amar! Além de Fringe, nunca apreciei ficção científica mas estou a adorar esta. Para além de adorar o protagonista, já tinha gostado imenso dele no The Killing (uma das minhas séries preferidas, as as primeiras temporadas).

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  2. *esqueci-me de acrescentar a nota (óbvia) que o meu comentário vai “contra” a crítica, mas, como em tudo, os gostos são subjectivos. Curiosidade: gostaste de Fringe?

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    1. Gostos são subjetivos, de fato. Sobre Fringe: assisti a dois episódios apenas. Achei interessante, mas não poderia falar nada além disso por não acompanhar o resto da série 😦

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  3. Comprovado: os nossos gostos estão em hemisférios opostos. Amei e já vi a série duas vezes 🙂

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