Crítica Eastsiders S3: relações difíceis

As nuances do relacionamento de um casal gay estão no centro das atenções da comédia dramática Eastsiders, criada, escrita e protagonizada por Kit Williamson. Em sua terceira temporada, que tem seis episódios e foi disponibilizada recentemente pela Netflix, a produção aborda a rotina de Cal (Williamson) e Thom (Van Hansis), jovens perdidos profissionalmente e em fase de experimentações no campo amoroso.

Nascida na internet, com apoio de crowdfunding, a atração demonstra uma sensível evolução, principalmente técnica, com o passar do tempo – dos curtíssimos capítulos de baixo orçamento do primeiro ano, inclusive com alguns graves problemas de som, aos mais profissionais feitos agora.

Todavia, por mais que tenhamos um padrão elevado de filmagem, a série ainda peca ao fazer com que as duas peças principais da história estejam presas ao mesmo enredo desde o início da trama.

Se em Modern Family temos um casal gay que busca reproduzir de todas as formas um relacionamento tradicional, e em Looking tivemos um Patrick (Jonathan Groff) descolando-se um pouco disso, Eastsiders traz uma realidade diferente.

É ótimo que tenhamos uma visão que abarca múltiplas formas de afeto. Enquanto uma das personagens heterossexuais faz um discurso de que há, no campo amoroso, um universo gay dissociado do hétero – uma forma ultrapassada de enxergar corpos falantes que somos –, por outro lado um personagem gay rebate que por mais que haja relacionamentos abertos, também há aqueles que querem ser monogâmicos – e estão presentes nesta ficção.

Nesse ponto, é ótimo que a terceira temporada tenha iniciado com o episódio Priscilla, de longe o melhor já feito pela atração e que exclui a dupla principal da narrativa. Nele, o foco está no relacionamento de Quincy (Stephen Guarino) e Douglas (Willam Belli). Belli, que inclusive já participou do reality RuPaul’s Drag Race, forma uma ótima dupla com Guarino. É interessante ver o desejo deles de casar, a possibilidade de ter filhos, tudo isso sem deixar de lado suas excentricidades. É certamente o arco que melhor tem avançado, até mesmo porque os demais coadjuvantes muitas vezes parecem ter um espaço que não se justifica.

Ian (John Halbach) ganhou como namorada Hillary (Brianna Brown), uma versão que não deu certo de Kathy (Constance Wu), usada para preencher o vácuo deixado pela ausência temporária desta. A impressão que fica é que Halbach, que é casado com Williamson e também produz a série, apenas não tem seu personagem descartado devido a todas essas ligações que extrapolam o campo da ficção.

Sem a mesma inexpressividade dentro do enredo, mas muitas vezes igualmente com uma presença inexplicável, também temos Jeremy (Matthew McKelligon). Para dar sentido a sua existência, são incluídos personagens e algumas ligações capengas.

Voltando a falar do que dá certo na produção, temos participações especiais boas. O astro pornô Colby Keller desempenha corretamente seu papel; Traci Lords sempre brilha na pele da mãe um tanto doida de Cal.

Há elementos que fazem de Eastsiders uma atração que merece ser vista. Se for dado um propósito para o casal de protagonistas, tem potencial até mesmo para entrar no catálogo de ótimas séries para refletirmos sobre as dificuldades de relacionar-se com alguém.

 

Nota (0-10): 5

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