Crítica Black Mirror S4: sem o mesmo impacto de antes

A tecnologia revoluciona nossa maneira de viver. Há incontáveis benefícios para a sociedade a partir de avanços científicos. Todavia, sempre há o outro lado da moeda. E se o nosso futuro não for tão perfeito quanto gostaríamos?

Fenômeno de audiência, a antologia Black Mirror, uma criação de Charlie Brooker, chega à sua quarta temporada, que tem seis episódios, com a missão de continuar desvendando diferentes nuances do amanhã. Suas histórias, que têm começo, meio e fim num único capítulo, abordam aspectos muitas vezes distantes da nossa reflexão cotidiana.

Por mais que a produção tenha elevado a qualidade técnica, deparamos, desta vez, com um roteiro que não consegue nos surpreender tanto quanto outrora. Nenhuma trama é ruim, isso é fato. Entretanto, falta aquele episódio que te deixará de queixo caído, assim como Shut Up and Dance e White Bear.

O quarto ano começa com USS Callister, que tem ares de Jornada nas Estrelas e a melhor frase da temporada: stealing my pussy is a red fucking line. A tomada de poder de Nanette (Cristin Milioti) é um sinal claro de que o bastão foi entregue em mãos femininas – mulheres protagonizam os seis diferentes enredos com maestria, pois conseguem trazer ação e emoção com a mesma desenvoltura.

Após a aventura espacial, chega a vez de Arkangel, que foca no relacionamento de uma mãe superprotetora e sua filha em diferentes fases da vida. Como de costume, o drama faz uma bela ponderação sobre limites no uso de aparatos tecnológicos. Afinal de contas, quem gostaria de ter todas suas ações monitoradas por outra pessoa?

Crocodile, que se passa na Islândia e tem lindas – e desoladoras – locações, também utiliza, de diferente maneira, o recurso de uma segunda pessoa poder assistir a o que você fez. O thriller funciona para nos distrair, mas evidencia certo desgaste na fórmula do programa.

Se no ano passado fomos presenteados com San Junipero, agora o momento romântico está garantido com Hang the DJ. O romance de Amy (Georgina Campbell) e Frank (Joe Cole) consegue empolgar – e talvez tenha o fim mais gratificante e inesperado desta safra.

Metalhead, a quinta parte, é a mais decepcionante de todas. A despeito da magnífica fotografia em preto branco e de uma protagonista muito forte, Bella (Maxine Peake), a trama é praticamente vazia de sentido.

Para encerrar, Black Museum serve quase como uma homenagem ao próprio show. Diferentes peças de crimes são expostas, há referência a o que já vimos na atração. Além disso, há uma mensagem muito forte no subtexto. A escravidão virtual daqui não carrega os mesmos matizes daquela vista em USS Callister. Ela é mais cruel e evoca um passado de dominação que deve ser varrido da face da Terra. Nesse caso, nada melhor que uma mulher negra buscar vingança e fechar um ciclo de dor.

Um fim de temporada satisfatório para evidenciar que, mesmo com seus baixos, Black Mirror sempre consegue mostrar-se relevante.

 

Nota (0-10): 7

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s