Crítica Top of the Lake S2: elementos estranhos

Quatro anos após investigar o desaparecimento de uma menina grávida de 12 anos, na Nova Zelândia, a detetive Robin Griffin (Elisabeth Moss) volta para a Austrália e, em Sidney, precisa solucionar a morte de uma jovem asiática encontrada dentro de uma mala, na praia.

Assim como no primeiro ano, a segunda temporada de Top of the Lake, intitulada China Girl, mistura a vida profissional e pessoal da protagonista. A produção, uma criação de Jane Campion, diretora do aclamado O Piano, e Gerard Lee, consegue manter a curiosidade do público, mesmo que em muitos momentos pareça não fazer tanto esforço para isso, e é uma boa pedida para um fim de semana de tédio.

Todavia, a atração é marcada por alguns elementos realmente estranhos. Boa parte dos personagens, por exemplo, cometem atos bizarros em excesso. Ao ocorrer no interior da Nova Zelândia, podia ser identificado como uma característica de um pequeno povoado distante de tudo. Quando acontece numa metrópole multicultural, entende-se ser uma marca da própria série.

Curiosamente, todos os principais personagens acabam tendo alguma ligação afetiva com o núcleo a ser investigado. Miranda Hilmarson (Gwendoline Christie) é uma dessas adições que podemos chamar de excêntricas. Logo no início já é possível perceber sua perturbação. Com o desenrolar da trama, entendemos o motivo para isso – e a história ganha contornos que parecem muito forçados.

Como grande vilão, temos a figura de Alexander “Puss” Braun (David Dencik), homem de mais de 40 anos que namora uma adolescente e inclusive pede para ela se prostituir. É interessante termos pessoas que não sejam unidimensionais, entretanto, neste caso, mesmo que ele tenha algum ato heroico, só é possível odiá-lo pelos inúmeros pontos negativos. Patético em vários momentos, causa-nos aversão e torna difícil de aceitar o amor despertado em Mary (Alice Englert).

Sabemos de tantos casos de mulheres que se submetem a homens e dilaceram sua própria essência. Isso não torna menos irritante assistir à passividade de Mary e de seus pais adotivos, Pyke (Ewen Leslie) e Julia (Nicole Kidman). Como pode a filha claramente dar a entender que sairá para fazer algo de errado e seu pai dar passagem como se não tivesse poder algum?

Não apenas eles. Griffin também percebe tudo que está ocorrendo e demora para tomar uma atitude mais severa para tentar impedir. O roteiro realmente testa a nossa paciência – e memória, diga-se de passagem. Em um dos episódios, Al Parker (David Wenham), um dos personagens principais da primeira temporada, retorna para uma cena bem pesada. Após quatro anos, não faço a mínima ideia do porquê daquilo ocorrer.

Num contraponto, temos ótimas atuações do elenco. Moss novamente demonstra toda sua força dramática, que também pode ser apreciada em The Handmaid’s Tale e nos encantou tanto em Mad Men. Kidman está incrível, pena ter pouco espaço para explorar seu talento. Algumas pontas ficam soltas no fim, que é bem satisfatório. Apesar de tudo, não seria ruim se tivéssemos um terceiro ano com a volta desses personagens.

 

Nota (0-10): 6

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