Crítica The Marvelous Mrs. Maisel S1: envolvente

Nova York, década de 1950. Após uma fracassada tentativa de ser comediante, Joel Maisel (Michael Zegen) conta para a esposa, Midge (Rachel Brosnahan), que está tendo um caso com a secretária e decide sair de casa. Frustrada com toda a situação, ela fica bêbada, vai até o bar e acaba subindo ao palco para desabafar em frente a uma plateia que recebe com entusiasmo sua sucessão de palavrões e piadas amarguradas.

Esse é o ponto de partida de The Marvelous Mrs. Maisel, comédia criada por Amy Sherman-Palladino, também responsável por Gilmore Girls. Com seu novo trabalho, Sherman-Palladino entrega um material consistente e deliciosamente envolvente. A produção da Amazon, que conta com oito episódios em sua primeira temporada, arranca sinceras risadas vindas de personagens que parecem saídos de filmes do Woody Allen tamanha capacidade de falar sem parar.

O grande destaque vai para a protagonista, que é engraçada, forte e não se intimida frente ao machismo. Brosnahan, que encarnou a Rachel de House of Cards, nos magnetiza com seu talento. Nome certo na próxima temporada de premiações, ela lidera uma equipe igualmente eficaz.

Os pais de Midge, Rose Weissman (Marin Hinkle) e Abe Weissman (Tony Shalhoub), cativam com seu jeito peculiar de agir. Assim como em Transparent, outra ótima produção original da Amazon, o fato de serem judeus tem grande impacto na trama. Muitas das piadas giram em torno da religião e dos costumes.

A dupla vive às turras e, para a nossa satisfação, proporciona momentos impagáveis com a constante necessidade de implicar um com o outro. Verdade seja dita, o fato de dormirem em camas separadas e a predileção de Abe por um de seus alunos levanta uma vaga suspeita sobre a homossexualidade do personagem, algo não explorado no primeiro ano e que possivelmente pode ser descartado.

Também temos em cena a durona Susie Meyerson (Alex Borstein). Ela carrega consigo o arquétipo da figura bondosa revestida por uma casca grossa, num primeiro momento aparentemente impenetrável. Só pelo fato de jogar na cara do Joel que ele é um fracassado já se transforma em nossa malvada favorita.

Por falar nele, é bem incompreensível Midge apaixonou-se por alguém tão desinteressante. Não há absolutamente nada nele que pareça realmente valer a pena. Joel é basicamente um Kinder Ovo – custa caro e tem uma surpresa vagabunda.

Voltando-se para os quesitos técnicos, The Marvelous Mrs. Maisel surpreende com uma reconstituição de época caprichada e belos figurinos. As roupas de Midge, por exemplo, refletem um refinamento acompanhado de certa simplicidade.

Recentemente a Amazon anunciou uma série derivada de O Senhor dos Anéis em uma tentativa de achar a sua própria Game of Thrones. O canal precisa de um grande sucesso para atrair mais público. Este pode até não ser o caso de Mrs. Maisel, mas certamente esta série junta-se a outras do serviço de streaming como The Man in the High Castle e American Gods, que têm qualidade superior ao que normalmente vemos na televisão.

 

Nota (0-10): 9

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