Crítica Godless: um western que não foge tanto do habitual

Bem-vindos à terra sem homens. Essa mensagem curiosa no pôster de Godless, série limitada criada, escrita e dirigida por Scott Frank, é uma promessa de revolução para o gênero. Atrai quem espera algo além da típica história de mocinho e bandido protagonizada por homens, de donzelas em perigo esperando serem salvas.

De fato, a produção é um grande avanço e traz personagens femininas fortes. Todavia, tem sua estrutura principal ainda arraigada nos velhos moldes. No enredo, Frank Griffin (Jeff Daniels), que aterroriza o velho oeste norte-americano nos anos 1880, caça Roy Goode (Jack O’Connell), antigo protegido que se tornou inimigo. Este, durante sua fuga, acaba abrigando-se em La Belle, uma pequena cidade habitada majoritariamente por mulheres.

O número desproporcional entre os gêneros logo é explicado: um acidente na mina matou todos os trabalhadores, que eram homens, exceto um, que ficou com problemas mentais. Sem os maridos, as mulheres assumem suas tarefas e uma dinâmica diferente é estabelecida no povoado.

Quem mais se destaca nesse processo é Mary Agnes McNue (Merritt Wever), irmã do xerife e amante de Callie Dunne (Tess Frazer), por quem está apaixonada. McNue, que inclusive passa a usar roupas consideradas masculinas, não se intimida perto da presença dos homens que chegam na cidade e é um dos pontos positivos da atração.  Ela precisa lidar com desconforto social atrelado ao relacionamento, cuidar dos filhos do irmão que se ausentou e está ficando cego, ser vista como uma pessoa forte o suficiente para coordenar os rumos da cidade.

McNue ganha muitas tarefas que normalmente caberiam à protagonista, que neste caso é Alice Fletcher (Michelle Dockery). Esta, por sua vez, vive em um rancho mais afastado da cidade, na companhia do filho Truckee (Samuel Marty) e Iyovi (Tantoo Cardinal), mãe do falecido marido. Seu distanciamento ocorre de maneira mais ampla – e por mais que ela seja interessante, em nenhum momento consegue tomar as rédeas da narrativa e ter o merecido destaque.

Não apenas ela, de maneira geral a narrativa transcorre sem muito ímpeto para fazer com que as subtramas evoluam satisfatoriamente. A história está presa ao passado, com muitos flashbacks que nem sempre acrescentam algo, e ao iminente confronto final, que ao menos consegue preencher as expectativas.

Homecoming, o episódio derradeiro, junta todas as peças e mostra um duelo que finalmente dá mais vazão para o poder feminino. Além disso, traz algumas resoluções inesperadas e positivas. Este capítulo representa muito do que a produção deveria ter sido e em boa parte do tempo não foi.

Havia muito material para ser melhor explorado. Iyovi é um bom exemplo. De origem indígena, sua presença misteriosa nos faz querer saber mais sobre ela. Charlotte Temple (Samantha Soule) é outro caso. Soule, a intérprete, tem uma dramaticidade interessante transmitida apenas com o olhar. Infelizmente, sua participação nunca sai do trivial. Também temos Martha (Christiane Seidel), outra figura enigmática que merecia mais espaço. A fugitiva de origem alemã ganha cenas importantes só na reta final.

Mesmo assim, até mesmo por ter apenas sete partes, Godless é uma obra que vale ser vista. Na pior das hipóteses, não se perde muito tempo assistindo ao conteúdo.

 

Nota (0-10): 7

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