Crítica Mindhunter S1: apática

Na década de 1970, nos Estados Unidos, uma unidade do FBI deixa de lado a ideia de que as pessoas nascem más e entrevistam vários criminosos que cometeram atos nefastos para traçar seus perfis, saber suas trajetórias e, mais tarde, usar isso para compreender o que eles passaram a denominar de serial killers.

Baseada na obra Mind Hunter: Inside the FBI’s Elite Serial Crime Unit, de John E. Douglas e Mark Olshaker, a série Mindhunter, criada por Joe Penhall e disponível na Netflix, traz uma premissa muito interessante. Com produção de David Fincher, que dirige os dois primeiros e os dois últimos episódios, a primeira temporada nos apresenta uma excelência estética como poucas.

A perfeição da direção de arte e da fotografia nos faz viajar pela época retratada – um caminho feito sem atropelos, dando tempo para a história avançar de uma maneira consistente e totalmente crível. Não há medo algum de trazer um dos protagonistas apenas no fim do capítulo inicial, de introduzir uma terceira peça fundamental gradualmente após isso. A produção sabe muito bem que trama quer contar e faz isso de maneira correta. Isso não evita, todavia, de ser tomada por uma apatia dificilmente quebrada.

O ponto mais problemático está no Holden Ford vivido por Jonathan Groff. Reconhecido pelos seus musicais na Broadway e papeis em Glee e Frozen, o ator não parece se descolar muito do Patrick de Looking. No entanto, se na comédia dramática da HBO ele era carismático, neste caso transita apenas entre ser chato e irritante. Seu personagem em Mindhunter não desperta empatia em nós na primeira metade da temporada. Já na segunda etapa, é consumido por uma arrogância cada vez mais doentia que seria muito interessante caso gostássemos dele.

Como se não bastasse sua personalidade pouco cativante, Ford ainda traz consigo Debbie (Hannah Gross), namorada que acrescenta nada de muito relevante para a trama. É muito fácil criar uma aversão à sua figura, que espero não precisar ver novamente.

Ela é o oposto de Wendy Carr (Anna Torv), que representa o que há de melhor na atração. Torv, mais conhecida pelo papel de Olivia Dunham em Fringe, é a única capaz de nos despertar uma emoção genuína e fazer com que torçamos por algo. A postura profissional de Carr e seu enfrentamento de assuntos pessoais deveriam ter sido mais explorados. Poderiam ter dado para ela parte do espaço reservado para o relacionamento de Ford e Debbie.

Transitando entre esses polos opostos de qualidade dramatúrgica temos Bill (Holt McCallany), agente que nos desperta certa simpatia – mesmo que seja o mais próximo que temos do estereótipo para tal profissional. Há um conflito interessante que envolve sua esposa e o filho adotado. Entretanto, o fato geralmente positivo da série de trabalhar os conflitos com cuidado atrapalha neste caso, pois essa subtrama basicamente não avança nada.

Se há uma enorme falha na construção dos principais elementos de condução da série, o mesmo não pode ser dito dos antagonistas. Há ótimos diálogos vindos principalmente das interações com aqueles infratores já encarcerados. Ed Kemper (Cameron Britton), por exemplo, é muito interessante.

Tradando-se dos crimes investigados, há uma facilidade sem graça para a resolução dos casos. Mesmo que esse não seja o foco da primeira temporada, as passagens poderiam ser mais dinâmicas, com um nível maior de tensão e mistério.

Elas acabam representando muito bem a série como um todo, que deixa a desejar no quesito básico para uma produção televisiva: conseguir entreter.

 

Nota (0-10): 5

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