Crítica This Is Us S1: força trivial

Um dos maiores fenômenos da TV norte-americana do último ano, o drama This Is Us, de Dan Fogelman, conquistou tanto público, com altos índices de audiência, quanto crítica, que indicou a produção para inúmeras categorias do Globo de Ouro e do Emmy, entre outras premiações.

Na trama, Rebecca (Mandy Moore) e Jack Pearson (Milo Ventimiglia) precisam lidar com a vinda, no dia do aniversário de 36 anos deste, de trigêmeos. Tal ação, que ocorre no passado, é intercalada com cenas do presente, quando os filhos Kate (Chrissy Metz), Kevin (Justin Hartley) e Randall (Sterling K. Brown), já adultos, com a mesma idade que o pai tinha ao conhecê-los, enfrentam problemas cotidianos.

Randall tem, indiscutivelmente, a melhor subtrama entre eles. Um dos bebês morreu durante o parto e ele foi adotado. Único negro da família, precisa suportar, desde pequeno, o preconceito da sociedade. Além disso, finalmente encontra seu pai biológico, William (Ron Cephas Jones), que está com câncer em estágio terminal. Brown, ator que se destacou na primeira temporada de American Crime Story, está sensacional no papel. Seu talento pode ser comparado ao da deusa Viola Davis, pois igualmente consegue dar uma carga dramática como poucos e nos emocionar profundamente.

William e Randall protagonizam ótimos momentos e o melhor episódio da primeira temporada é Memphis, no qual o resto do elenco é deixado de lado e a atração foca na história deles. Este arco narrativo, entretanto, tem seu ponto fraco. O roteiro trata com verdadeiro descaso Jessie (Denis O’Hare), o namorado de Randall, que é apresentado de maneira tardia e tímida, sem contar que não está presente em cenas importantes.

Outra linha narrativa que funciona bem é a de Kate. A personagem está acima do peso e enfrenta percalços diários com preconceito e baixa autoestima. Seu relacionamento com Toby (Chris Sullivan), personagem mais carismático da série, é realmente fofo. Pena a série inserir pequenos dramas de desenlace rápido que até conseguem manter nossa atenção, mas vão perdendo força.

Esse é um caso muito visível no relacionamento de Rebecca e Jack. A falta de um conflito maior faz com que o poder que reside no trivial nem sempre surta o efeito desejado. Além do mais, toda a suposta perfeição de Jack é cansativa. Ainda assim, a trama é melhor que a de Kevin, de longe a peça mais dispensável do tabuleiro. Sua busca por ser levado a sério não traz nada de novo, por vezes é irritante mesmo.

O roteiro, de maneira geral, tem pontos extremamente positivos. Entretanto, há conflitos que são trabalhados de forma muito simplória. Um bom exemplo é o discurso de William para uma das namoradas de Kevin, no Dia de Ação de Graças. Logo após, ela, que estava indo embora, foi correndo para os braços do amado – tudo isso para depois descobrirmos que ele ama uma ex-esposa nunca antes mencionada.

Talvez superestimada em alguns pontos, é inegável que a série reúne um grande elenco e a trama consegue cativar como um todo. Não entrando num estilo Shonda Rimes de reviravoltas alucinadas, deve seguir nos entretendo com qualidade.

 

Nota (0-10): 7

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