Crítica Silicon Valley S4: um punhado de homens sem graça

Quando estreou Silicon Valley, série da HBO criada por John Altschuler, Mike Judge e Dave Krinsky, parecia uma boa substituta para The Big Bang Theory, já em processo de desgaste após anos no ar. Ambas apresentam protagonistas nerds, mas com características diferentes.

Enquanto a produção da CBS tem personagens mais carismáticos e imersos numa realidade tornada de simples compreensão para o grande público, com um humor mais fácil, Silicon Valley preocupa-se menos em fazer referências pop e piadas a cada dois segundos e mais em avançar a trama ao redor da companhia Pied Piper.

A fórmula desta deu certo principalmente nas duas primeiras temporadas. Como não morrer rindo de Two Days of the Condor, no fim do segundo ano, quando um livestream que lembra o filme 127 Horas deu uma audiência espetacular para Richard Hendricks (Thomas Middleditch) e sua equipe?

Essa realidade do Vale do Silício, tão descolada da gente de várias formas, deu um bom pontapé inicial e mereceu o reconhecimento da crítica. Todavia, chega em sua quarta temporada com um algoritmo repetitivo e muito irritante.

É cansativo demais ver Richard estragar tudo sempre. Toda vez que ele erra, eu não sorrio. O sentimento despertado em mim é de raiva mesmo. Dá vontade de invadir o computador e chacoalhar ele até deixar de ser trouxa.

Outro personagem que conseguiu rapidamente se tornar insuportável é Erlich Bachman (T.J. Miller). Sinceramente, parece-me mais do que acertada a decisão do ator de não retornar para o quinto ano da série. O roteiro sempre foi negligente com ele, relegando-o à posição de chapado que é chamariz de desgraça. Sua maior contribuição foi transformar a casa numa incubadora onde os amigos trabalham. Parece que ficará só nisso mesmo.

Por falar na casa, após quatro anos o pessoal continua no mesmo lugar, sem evolução alguma que não seja acompanhada de imediato retrocesso. É necessário ter obstáculos para tornar a história desafiadora. Entretanto, no caso deles, qualquer pedrinha é transformada num abismo – algo chato demais.

Provavelmente esse seja o pior ponto do roteiro, que é verdadeiramente displicente de modo geral. Cadê aquele maravilhoso culto satânico para vermos o Gilfoyle (Martin Starr) indo? Dinesh (Kumail Nanjiani) não vai ter nenhum outro contato com o “mundo exterior” além da namorada hacker que denunciou pra polícia? Jared (Zach Woods) vai fazer alguma outra coisa além de idolatrar seu chefe?

Nesse emaranhado de homens sem graça, quem se dá mais mal é Monica (Amanda Crew) e Laurie (Suzanne Cryer), completamente deixadas de lado – são quase o Jian Yang (Jimmy O. Yang), mestre na arte de ser invisível para morar de graça.

Ainda temos o Big Head (Josh Brener), que nem sabe quando é dia ou é noite, mas o amamos da mesma forma, e Gavin Belson (Matt Ross), o vilão que teve a melhor tirada da temporada com a transfusão de sangue.

O episódio final deixou, mais uma vez, um gancho para grandes mudanças. O passado nos ensina que não há motivo para ficarmos entusiasmados com isso.

 

Nota (0-10): 5

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