Crítica Outlander S2: ótima trama, desenvolvimento problemático

Baseada na saga homônima da escritora Diana J. Gabaldon, a série Outlander, de Ronald D. Moore, traz como protagonista Claire, uma enfermeira que atuou na II Guerra Mundial e, em 1945, viaja no tempo para o ano de 1743.

Na Escócia do século XVIII, ela encontra Jamie Fraser, por quem se apaixona. Se na primeira temporada a trama tem como ponto central o duelo com o sádico capitão Jack Randall, ancestral de Frank, o marido de Claire no século XX, a atração é movida no seu segundo ano pela tentativa de evitar a Batalha de Culloden, que ocorreu de verdade no dia 16 de abril de 1746, entre as tropas do governo britânico e os rebeldes jacobitas.

A tentativa de mudar a História faz com que o casal protagonista desembarque em Paris, cidade que concentra as ações da primeira metade da temporada. De longe, Caitriona Balfe, intérprete de Claire, sobressai-se aos demais ao entregar uma atuação apaixonada. Pena sua personagem algumas vezes usar sua dor como desculpa para tratar as pessoas próximas com aspereza quando tem algum rompante qualquer.

Por mais que sua trajetória seja tão ou mais sofrida que a dos demais, não me parece justificável que ela utilize os fantasmas do passado como muleta para gritar com amigos. Em alguns momentos, perde o controle apenas por estar certa. É uma característica bem desagradável que não precisaria ser carregada para mostrar seus tormentos ou a sua força.

Mesmo assim, a personagem é o que de melhor há na série. Suas ações em boa parte feministas são um grito por mudança em um cenário dominado por homens machistas. Até mesmo pequenos atos fazem diferença. Infelizmente, muito disso é diluído na necessidade de mostrar o quão apaixonados ela e Jamie (Sam Heughan) estão.

O roteiro, que em mãos mais competentes faria desta facilmente a melhor produção atualmente exibida, mostra-se problemático. Há várias pequenas reviravoltas simplórias que tiram a grandeza da atração – e elas geralmente estão atreladas ao romance central, como no caso da impotência do marido, que poderia ter sido explorada de uma maneira tão mais sensível, e não acabar numa briga de casal com direito a chupões de outra mulher na coxa dele.

Ao optar-se por fazer toda a trama exaustivamente orbitar ao redor da dupla principal, e acomodar-se às suas necessidades para avançar com uma dor que os unirá mais e mais, perde-se a oportunidade de explorar um universo rico existente ao redor.

Tobias Menzies, ótimo ator que dá vida ao bondoso Frank e ao terrível Jack, pouco aparece durante os treze capítulos deste ano. Seria muito melhor se a série enxugasse subtramas desnecessárias relacionadas ao casal protagonista e nos desse algumas cenas entre o duelo que Jack é ferido e sua reaparição para casar com Mary (Rosie Day) – aliás, outra personagem que não precisava ter sumido.

Com a sucessão de tentativas e fracassos de Jamie de evitar a derrota dos jacobitas, logo ficou claro que ele e Claire não conseguiriam mudar o que aconteceu. Isso fez com que a temporada demorasse muito a passar. Com exceção do último episódio, que curiosamente é o mais longo de todos.

Dragonfly in Amber é de longe a melhor parte da história e trouxe de volta a curiosidade perdida com relação ao que acontecerá. Por mais que fosse irritante – e compreensível – a incredulidade de Brianna (Sophie Skelton), sua adição ao elenco é positiva, assim como a de Roger (Richard Rankin).

Agora resta torcer para a terceira temporada ter seu texto melhor lapidado, algo que me parece improvável. De qualquer forma, é uma série com qualidade acima da média.

 

Nota (0-10): 6

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