Crítica To the Bone: um retrato difícil sobre anorexia

Quando foi publicado o trailer de To the Bone, filme escrito e dirigido por Marti Noxon, houve polêmica. Muitas pessoas estavam preocupadas que a obra iria romantizar a anorexia. De fato, a música descolada e as piadas sobre peso davam um indicativo nada legal.

Quer um conselho? Não assista aos trailers. Eles geralmente têm uma fórmula pronta para tentar fisgar o maior público possível – e nem sempre refletem a essência da obra, como neste caso. Felizmente, o drama nos apresenta um cenário muito cruel e palpável do distúrbio alimentar, uma visão bem diferente do que a prévia sugeria.

Na obra, Ellen, interpretada de maneira sensível por Lily Collins, já passou por vários tratamentos, sem sucesso. Com a saúde cada vez mais debilitada, consulta com o médico William Beckham (Keanu Reeves) e instala-se em uma casa com outros pacientes.

A figura mais marcante do local é Luke (Alex Sharp), jovem que serve de alívio cômico e par romântico da protagonista. Apesar de cativante, o personagem parece refletir uma necessidade de tornar o filme mais palatável.

Fora da casa, Ellen consegue contar apenas com a amizade de sua meia-irmã Kelly (Liana Liberato), já que os demais membros da família são um tanto tóxicos. Susan (Carrie Preston), a madrasta, é realmente inconveniente. A mãe Judy (Lili Taylor) e sua companheira Olive (Brooke Smith) estão distantes.

É compreensível e triste ver que Judy não consegue acompanhar o definhar da filha. Pena que a personagem não apareça mais, pois Taylor é incrível e a melhor cena do longa-metragem é aquela que ela dá de mamar para Ellen – um momento quase surreal e que traduz toda a fragilidade existente.

Essa passagem tem uma força que falta para o resto do filme. De maneira geral, ele mantém uma linha de progressão sem sobressaltos, mas também sem grandes momentos. Há toda a poesia envolvida na saída do grupo ao som de Water, de Jack Garratt, e a dor no aborto espontâneo de Megan (Leslie Bibb). Todavia, são poucos pontos dramáticos realmente interessantes.

A construção da protagonista também atrapalha um pouco. Por mais que o trabalho de Collins seja positivo, a personagem não é exatamente alguém que nos desperte empatia – algo que prejudica nossa conexão com a obra.

Contida na maior parte do tempo, o ponto de virada dela chega apenas nos minutos finais. A escolha de dar esperança, sem nos contar se Ellen melhorará ou não, é bem amarga. Não que estivesse esperando um desfecho de contos de fada. Entretanto, como o cenário em sua quase totalidade é de tentativa e fracasso, chegamos ao momento derradeiro com uma negatividade que não é desfeita.

Acaba que nem de longe o filme é todo o desastre prenunciado. Também está um tanto distante de ser ótimo. É um relato correto de uma das agruras humanas.

Nota (0-10): 6

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