Crítica Veep S6: deliciosamente transgressora

Selina Meyer é egoísta, manipuladora, corrupta, preconceituosa etc. A lista de defeitos só não é maior que o número de erros cometidos pela sua equipe. A ex-presidenta dos Estados Unidos representa boa parte do que há de pior na política – e nós a amamos por isso.

Veep, série da HBO criada por Armando Iannucci, é um claro exemplo do quanto você pode ser politicamente incorreto de uma maneira correta. A comédia consegue fazer piada até mesmo sobre genocídio, mas sempre expondo ao ridículo quem detém o poder, não a vítima.

O time de roteiristas merece aplausos. Durante meia hora de cada um dos dez episódios da sexta temporada, somos bombardeados por tantas frases geniais que, caso fôssemos fazer uma lista das melhores, precisaríamos de algumas páginas a mais.

Claro que todas as reviravoltas que vemos não seriam tão formidáveis se não tivéssemos um dos melhores elencos da televisão. Julia Louis-Dreyfus encarna Meyer de uma forma absolutamente soberba e merece cada um dos Emmys que já recebeu pelo papel. Ela capitaneia um grupo igualmente incrível.

Tony Hale, na pele de Gary Walsh, consegue arrancar gargalhadas. O que é ele tentando abrir uma garrafa de água mineral no terceiro capítulo, Georgia? Todo um esforço para depois Selina perguntar o que raios aconteceu com a garrafa e não querer mais. O mais interessante dessa cena é que toda a luta de Gary foi travada ao fundo, enquanto sua chefe conversava em primeiro plano com outra pessoa.

De maneira geral, é sempre importante tentar acompanhar tudo o que está acontecendo. Cada detalhe vindo de diferentes personagens é capaz de nos fazer sorrir. As expressões faciais da Amy de Anna Chlumsky são uma prova disso. Neste ano, ela começou afastada da antiga equipe, mas ainda era a mesma Amy Brookheimer de sempre. Quando seu noivo decidiu deixar de concorrer para dedicar-se ao seu amor, deu vontade de gritar “perdeu, seu trouxa”.

Outro personagem que ganhou uma subtrama afastado de Selina foi Dan Egan (Reid Scott). Com sua função de apresentador de televisão, a série conseguiu destruir toda uma visão romantizada que normalmente há da profissão. É muito engraçado todo o clima de traições internas e a mudança repentina de postura ao ligar as câmeras.

Neste ano, nós ainda tivemos um aumento da presença de Catherine (Sarah Sutherland), filha de Selina, e sua companheira Marjorie (Clea DuVall). Confesso que dá um pouco de pena ver as duas sendo constantemente ignoradas pela protagonista, apesar de fazer parte da linha de humor da atração.

O único dos personagens principais que me deixa em dúvida é Jonah (Timothy Simons). Há momentos que ele é muito engraçado. Já outros, sua falta de noção soa um pouco cansativa e irritante – algo parecido, mas em menor grau, com o que ocorre com Erlich em Silicon Valley.

De qualquer forma, não tira o brilhantismo de Veep. A série nos mostra de maneira cruel e hilária os bastidores do poder. A prova de que toda a desgraça vinda da política rende material para muito além do meme.

 

Nota (0-10): 10

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