Crítica Glow S1: a luta das mulheres

No ringue, luta livre, mulheres em busca do seu espaço e conflitos novelescos. Glow, série da Netflix criada por Liz Flahive e Carly Mensch, traz em sua primeira temporada, com rápidos dez episódios, uma mistura acertada de drama, comédia e representatividade.

Como toda boa trama que se passa na década de 1980, o ambiente desperta um sentimento de nostalgia até mesmo em quem nasceu posteriormente. O figurino e a trilha sonora são os principais ingredientes dessa volta para época dos cabelões peculiares e, infelizmente, um sexismo ainda mais latente que hoje.

Ter mulheres conduzindo a atração provavelmente seja o maior trunfo, pois não há uma fuga de todos os problemas envolvidos na história, e sim uma condução correta dos mesmos. Mulheres na luta livre é sinônimo de empoderamento apenas em alguns aspectos. Em muitos outros é sinal de fetichização e uso gritante de estereótipos.

O último ponto é abordado com clareza na festa dada por Bash (Chris Lowell), produtor do programa televisivo que será gravado na ficção. Seu contraponto à visão de Sam (Marc Maron) é um sinal claro da comercialização que reforça preconceitos.

Para nossa sorte, temos lutadoras que não se dobram tão fácil e tomam liberdade para mudar o que lhes foi pedido. A personagem que melhor faz isso é Cherry “Junkchain” Bang (Sydelle Noel), que em determinadas situações consegue tomar o controle.

Outra personagem encantadora é Carmen “Machu Pichu” Wade (Britney Young), que tem um sorriso de amolecer corações – e um punho para esmagar qualquer oponente. Ela integra essa gama de personagens que nos cativam mesmo com pouco tempo de tela, assim como Sheila “the She Wolf” (Gayle Rankin).

O maior problema da série certamente é o número excessivo de personagens principais, algo também visto em Orange Is the New Black, onde fica ainda mais latente o quanto isso pode atrapalhar.

O caso de Glow não parece tão prejudicial, apesar de fazer com que muitas boas histórias deixem de ser contadas. O lado positivo da produção é que as protagonistas têm características bem diversas, fazendo com que logo consigamos reconhecê-las.

Outro ponto discutível é a briga de Ruth “Zoya the Destroya” Wilder (Alison Brie) e Debbie “Liberty Belle” Eagan (Betty Gilpin). O arco da traição com o marido da melhor amiga não é exatamente algo tão interessante, mas está em sintonia com a ideia de que a luta livre carrega todo o dramalhão de novelas. Mesma característica trazida pela subtrama da filha de Sam, Justine (Britt Baron). Não que a revelação seja interessante, impactante. Todavia, segue a mesma linha rocambolesca.

Também é preciso destacar as referências que aparecem na série, principalmente a inserção de De Volta Para o Futuro, de Robert Zemeckis. As lutadoras indo na fila do cinema para conseguir público entre as pessoas que aguardavam para assistir ao filme foi bem engraçado. Só não foi melhor que She Wolf tocando teclado – momento para quase perder o fôlego de tanto gargalhar.

Agora nos resta saber se a exibição do piloto delas foi um sucesso e se serão respeitadas pelo que estão fazendo. Que a segunda temporada chegue logo.

 

Obs: Brie está muito diferente da Annie de Community.

 

Nota (0-10): 8

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