Artigo: mostre para a Netflix a força do fã

A Netflix é, certamente, uma das empresas de comunicação mais amadas do mundo. Ela representa o novo, o ousado, o diferente, está disposta a subverter regras e a abraçar bandeiras progressistas. Também sempre foi conhecida por respeitar os fãs, resgatar séries queridas pelo público e dar um final digno para as suas produções originais.

Tudo mudou nesta semana, quando anunciou, sem explicação alguma, o cancelamento de Sense8, produção das irmãs Wachowski, após duas temporadas. Se realmente não voltar atrás, deixará a trama inconclusa, com um enorme gancho sem resolução.

Mas será que a Netflix não repensará sua ação? Uma petição online pedindo o descancelamento da atração já ultrapassou 300 mil assinaturas em pouquíssimo tempo. As reações com a notícia de que não seria produzida uma terceira temporada não foram, de fato, nada boas. Palavras como desrespeito aos fãs foram ditas e curtidas aos montes.

Assinantes ficaram ainda mais decepcionados após saberem que outro sucesso, House of Cards, também pode ser cancelada. Reed Hastings, cofundador do serviço de streaming, disse recentemente que gostaria de ver mais produções originais dando tchau, o que ligou o sinal vermelho.

Será que a queridinha dos fãs irá tornar uma prática comum o que fez com Sense8? Não há dúvida alguma de que encerrar uma série sem concluir a história é um tremendo desrespeito – e você tem todo o direito de mostrar isso claramente para a Netflix.

Há inúmeros exemplos do quanto a força do público faz muita diferença. Recentemente, o canal norte-americano NBC resolveu dar uma segunda temporada para Timeless após ter dito que ela seria encerrada na primeira.

Um caso muito emblemático é Veronica Mars. Uma legião de seguidores, que queria o retorno da série e não foi ouvida pela produtora, fez um financiamento coletivo para ter a continuidade da trama. Foram arrecadados mais de US$ 5 milhões para a produção de um filme, lançado em 2014. É um valor expressivo, que melhor traduz o momento que vivemos, de ingresso em uma cultura colaborativa no qual a figura de receptor passivo fica cada vez mais no passado.

Além de petições online, há inúmeros formas já utilizadas pelos fãs para deixar bem claro seu descontentamento – como o encerramento da assinatura de um canal, por exemplo. Caminhamos a passos largos para um futuro cada vez menos dependente de uma grande empresa ditando regras. É preciso troca, compreensão. Entre o amor e o ódio, há uma linha que facilmente pode ser ultrapassada.

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