Crítica House of Cards S5: a banalização da morte

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Quando Kevin Spacey conversou pela primeira vez conosco, na primeira temporada de House of Cards, série adaptada por Beau Willimon, seu personagem, Frank Underwood, já demonstrava ser uma figura para entrar na história da TV.

Spacey e Robin Wright – com sua Claire – dão vida a um dos casais mais intrigantes da ficção. Mais do que isso, chegam ao quinto ano da atração mostrando que merecem todo o reconhecimento da crítica e do público, pois nos apresentam um trabalho de natureza ímpar.

Não apenas eles. A produção como um todo é dotada de qualidade digna de aplausos. As cenas são perfeitamente enquadradas. O deslizar suave da câmera pelos corredores e pelas salas da Casa Branca traz uma elegância em conformidade com todo o ambiente, revestido com tantos formalismos quanto intrigas. A trilha instrumental é usada de maneira sóbria, quando preciso, e os diálogos são construídos com frases de efeito que não soam forçadas, baratas.

Além dessas qualidades, ainda temos uma narrativa extremamente sedutora e atual. Num mundo onde a realidade extrapola o nível aceitável de absurdos, fica até difícil competir. Entretanto, a série luta de igual para igual e nos envolve com sua trama disposta a mostrar quem detém o poder.

Há muitos elementos interessantes: a criação da história pública que se torna verdade, as alianças internas que podem se desfazer a qualquer momento, o papel da imprensa etc. O componente novo mais bizarro provavelmente seja o ritual feito pelos homens que representam a elite. O mais fascinante certamente é a relação de parceria do casal Underwood, que ganha contornos cada vez mais surpreendentes.

A série, todavia, oscila. Apesar de ter uma primeira metade de temporada eletrizante, os capítulos finais demonstram que a falta de escrúpulos pode ser um tanto cansativa e perder o impacto. As novas mortes, que se somam a outras tantas de temporadas anteriores, são repetitivas e, logo, banais. Para políticos tão astutos quanta Frank e Claire, espera-se decisões menos comprometedoras que basicamente deixar um rastro de sangue por onde passam.

Aliás, a série está tão acostumada a matar seus personagens que nem ao menos escapou Eric (Malcolm Madera), o amante de Frank. Uma perda que pareceu realmente bem desnecessária, ainda mais levando em conta a forma como aconteceu.

Outro ponto frustrante deste ano foi a falta de interação de Claire com o público. Após o fim da temporada passada, esperava-se que ela passasse a quebrar a quarta parede com tanta frequência quanto o companheiro – o que não aconteceu. Tivemos apenas duas cenas, uma justificando a falta de outras e a final, esta muito boa.

Temos muitos pontos para explorar na sexta temporada. O que acontecerá com a história de Catherine Durant (Jayne Atkinson)? Thomas Yates (Paul Sparks) realmente não tinha outra cópia do livro guardada? Quem será a próxima vítima de Claire e Frank? Teremos uma nova guerra entre o casal Underwood? Vale lembrar que a briga entre os protagonistas foi o ponto alto do quarto ano da atração.

Apesar de algumas questões questionáveis, é inegável a qualidade de House of Cards. Seus acertos e defeitos assemelham-se muito aos de Homeland, que igualmente apresenta um elenco incrível e uma trama atraente, mas comete falhas. O saldo final, no entanto, acaba sempre sendo é positivo. Assim como seus personagens, essas séries têm uma capacidade invejável de se reerguer, não importa o que aconteça.

 

Obs: a relação de Frank e seu amante poderia ter sido abordada de forma menos tímida.

Obs2: agora é a vez da Claire. E isso é lindo demais.

 

Nota (0-10): 8

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