Crítica Master of None S2: genial

Quando você assiste ao primeiro capítulo de Master of None, série da Netflix criada por Aziz Ansari e Alan Yang, pensa estar diante de uma comédia despretensiosa que talvez possa ser boa. No decorrer os episódios, percebe ser muito mais do que isso – principalmente na segunda temporada, que simplesmente consegue unir muitos elementos de maneira apaixonante e crítica.

Ansari, que interpreta o protagonista Dev, escreve e dirige parte dos episódios, consolida-se como um dos artistas mais brilhantes desta geração. Ele nos apresenta um passado que desperta nostalgia e um presente disposto a quebrar barreiras.

O segundo ano, que tem dez episódios, começa três meses após o término do primeiro. O personagem principal está em Modena, na Itália, aprendendo a fazer macarrão. Somos apresentados a Francesca (Alessandra Mastronardi), seu novo interesse amoroso. O primeiro capítulo, todo em preto e branco, é uma ode ao cinema clássico italiano – uma entre tantas homenagens à produção do país, que está presente no decorrer da história com diversas referências, como A Aventura, de Michelangelo Antonioni.

O segundo episódio perde um pouco do tom nostálgico e traz mais diversão com a ida de Arnold (Eric Wareheim) para a Europa. O melhor amigo de Dev é sem noção na medida certa e sua cena preso no carro, por exemplo, é impagável.

Já de volta aos EUA, a família de Dev entra em cena para discutir religião. É muito interessante como Ansari mostra esse choque geracional, dos pais muçulmanos muito fiéis aos seus costumes aos filhos que não enxergam problema algum em comer porco, beber ou se relacionar com outras pessoas descompromissadamente. A cena de Dev pequeno experimentando bacon pela primeira vez é formidável.

De modo geral, todos os capítulos que se debruçam sobre um único tema são incríveis. O Dia de Ação de Graças na família de Denise (Lena Waithe) é digno de aplausos. A data, mostrada em diferentes anos, acompanha o amadurecimento da personagem, suas descobertas. É muito bonita a cena em que ela conta para a mãe que é homossexual; e engraçada a forma como a família finalmente aceita uma de suas namoradas.

E o que falar sobre o episódio New York, I Love You? A atração deixa de lado os personagens regulares para acompanhar um fragmento do cotidiano de cidadãos invisíveis da cidade. O porteiro, a menina com deficiência auditiva e o taxista mostram-nos seus dramas. No entanto, o ápice certamente é quando começa a tocar Vengaboys.

Outro tema abordado pela produção foi o assédio sexual. É um assunto que tem aparecido com frequência na mídia e gerado muita discussão.

Além de tantos pontos importantes, este ano ainda contou com participações especiais de grandes atores como Angela Bassett e Bobby Cannavale. Eles vieram para dar ainda mais peso a uma trama irresistível e necessária.

Encerro com o clipe de We like to Party. Vamos dançar, por favor.

 

Nota (0-10): 10

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