Crítica Feud S1: duelo imperdível

A legendária disputa entre Bette Davis e Joan Crawford, duas das maiores estrelas hollywoodianas, deu o que falar no set de filmagem de What Ever Happened to Baby Jane?, na década de 1960. A tensão era grande fora e dentro da tela. Assim como suas intérpretes, as irmãs Blance e Jane Hudson viviam em conflito.

Enquanto uma das personagens era reclusa e tinha a fala doce, a outra, que atingiu grande sucesso durante a infância, era deliciosamente perturbada e parecia soltar trovões ao abrir a boca.

A gravação do filme, que foi sucesso de público e crítica, é o ponto de partida da maravilhosa Feud, antologia criada por Jaffe Cohen, Ryan Murphy e Michael Zam. Em sua primeira temporada, a produção aborda a amarga relação de Davis e Crawford.

A qualidade elevada de Feud já era esperada, já que Ryan Murphy é um showrunner de habilidade ímpar. Ele nos trouxe Glee e American Horror Story, obras com significativo impacto na cultura pop, além de trabalhos brilhantes como American Crime Story e The Normal Heart. O produtor/diretor/roteirista costuma trabalhar novamente com os atores – e desta vez não foi diferente.

Para encarnar as duas figuras históricas foram chamadas atrizes de igual talento.  Com sua sofrida e traiçoeira Crawford, Jessica Lange mostra que a contínua parceria com Murphy é o melhor presente possível para nós, telespectadores e fãs. Só não é o grande trunfo da atração por dois motivos: a recorrente interpretação de personagens decadentes tentando se reerguer tira um pouco do brilho da atual; e Susan Sarandon, sua rival na história, está simplesmente divina.

Sarandon cospe roucas e azedas palavras com uma força capaz de derrubar paredes. Assim como Davis, deve ofuscar o trabalho da colega na temporada de premiações – será que Lange armaria para ela não ganhar nada?

A antologia também conta com um ótimo time de coadjuvantes. Judy Davis (Hedda Hopper) traz na medida certa o desejo por sangue fresco no mundinho do faz de conta. Alfred Molina (Robert Aldrich) faz bem o papel de vítima e vilão, dependendo das peças ao seu redor. Stanley Tucci (Jack Warner) usa os seus poucos momentos para brilhar, assim como Alison Wright (Pauline Jameson), que poderia ter aparecido mais.

Uma questão que intriga é por que Catherine Zeta-Jones (Olivia de Havilland) é contada como participação especial, sendo que aparece em quase todos os episódios e tem tantas ou mais cenas que os últimos citados.

Deixando de lado as atuações, é preciso falar sobre os aspectos técnicos de Feud. As direções de arte e de fotografia são muito competentes. A mistura de imagens coloridas e em preto e branco é interessante. Os figurinos são lindos, principalmente no episódio And the Winner Is… (The Oscars of 1963), o melhor da temporada. E o mais importante: o roteiro nos traz exatamente o que propõem, sem perder o fôlego.

A atual safra de produções da FX com apenas oito capítulos por ano é muito boa. Com a diminuição do número de episódios é possível perceber que a história é contada sem voltas desnecessárias. É o caso de Feud, uma daquelas obras imperdíveis.

 

Nota (0-10): 10

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