Crítica 13 Reasons Why S1: agonia sem fim

Na adolescência, o bullying faz parte do cotidiano de todos. Seja como vítima, agressor ou testemunha, temos contato com esse mal que, apesar de ter nome recente, é uma prática antiga. Para quem é alvo de atos de violência, as sequelas são inevitáveis. A dor e a angústia são tão grandes que podem levar a consequências extremas, como no caso de Hannah (Katherine Langford), personagem principal de 13 Reasons Why, série adaptada por Brian Yorkey com base em romance homônimo.

As constantes agressões sofridas vão isolando Hannah aos poucos. Sem o apoio que necessita, resolve tirar a própria vida para ter o tão almejado término da dor. Tudo isso após gravar os motivos que a fizeram chegar ali. As fitas são distribuídas para quem de alguma forma a machucou e para Tony (Christian Navarro), uma espécie de adulto num corpo de jovem.

A premissa é, sem sombra de dúvidas, interessante e necessária, e o desenrolar da história acontece pela ótica de Clay Jensen. Dylan Minnette, seu intérprete, é dotado de carisma e dramaticidade, assim como Langford. Todavia, as escolhas acertadas do tema e dos protagonistas não são o suficiente para fazer com que a atração seja boa. Uma série de decisões equivocadas faz com que o telespectador fique simplesmente agoniado por causa da condução da trama.

O maior de todos os erros foi achar que seriam necessários treze episódios para a primeira temporada. Se fossem oito capítulos, no máximo dez, muitos momentos absurdos poderiam ter sido evitados. Da forma como foi apresentado, o enredo se torna irritante já no lado B da primeira fita e só volta a melhorar na reta final.

Como aguentar o Clay demorando dias e mais dias para conferir o material? Segundo ele, dói ouvir a voz da menina que ama. Gente, socorro. A Hannah tirou a própria vida, tem uma investigação aberta e o cara está com um material no qual ela conta os motivos que a levaram a tomar tal decisão. Enquanto isso, ele fica caindo de bicicleta o tempo todo e enchendo o saco de um monte de colegas sem nem saber ao certo o que ocorreu. Sério, está tudo errado.

Tony, o boy adultão serião da turma, tá lá de boas seguindo o amigo e sentado num monte de provas que esconde da Mrs. Baker (Kate Walsh). Demora os miseráveis treze capítulos pra perceber que se equivocou ao fazer o que fez. Quer ser responsável de verdade? Vai pagar uns boletos e começa a apresentar seu namorado como namorado, por favor.

O excesso de fatos que levam ao mais desolador dos momentos também atrapalha. A série não sabe trabalhar tão bem essa sequência de acontecimentos e o elevado número de participantes. Soa forçado que as pessoas, uma a uma, ganhem papel de destaque na vida de Hannah, hostilizem-na e se afastem num intervalo de tempo muito curto. Se tivéssemos menos eventos-chave e eles fossem melhor trabalhados, provavelmente a produção conseguisse dar mais profundidade para eles.

Alex (Miles Heizer), Jessica (Alisha Boe) e Justin (Brandon Flynn), por exemplo, são personagens muito bons. O problema é que só vamos saber disso depois que o nosso nível de paciência se esgotou por completo.

Entretanto, vale ressaltar que, apesar de seus erros, a série deve ser discutida. É um exemplo do quanto a ficção é fundamental para tentarmos mudar práticas tão desumanas e enraizadas na sociedade.

 

Nota (0-10): 5

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