Crítica Big Little Lies: força narrativa desperdiçada

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Reese Witherspoon, Nicole Kidman, Shailene Woodley, Alexander Skarsgård, Laura Dern. Poucas atrações conseguem reunir um elenco tão talentoso quanto Big Little Lies, minissérie da HBO criada por David E. Kelley com base no romance homônimo de Liane Moriarty.

Com direção de Jean-Marc Vallée – responsável pelos filmes Dallas Buyers Club e Wild –, a produção divide em sete capítulos a história de mães com uma vida aparentemente perfeita. No entanto, desde o princípio, antigos e novos conflitos demonstram que há muito para ser visto além da superfície. A trama ainda intercala as ações com flashforwards que indicam que alguém será assassinado.

Por mais que a misteriosa morte de alguém seja um recurso narrativo geralmente eficaz, pois desperta a curiosidade, não funciona tão bem em Big Little Lies por motivos bem simples: traz uma resolução previsível e rouba a atenção que deveria ser dada aos segredos das protagonistas, que são muito mais interessantes.

Desde que descobrimos que Celeste (Kidman) é agredida pelo marido e que Jane (Woodley) sofreu violência sexual no passado, fica muito claro que Perry (Skarsgård) é o homem que estuprou Jane e que ao menos um de seus filhos é responsável pelas agressões sofridas por Amabella (Ivy George) na escola – para os dois casos, há passagens indicando isso.

Logo, é claro que o clímax da atração giraria em torno do personagem de Skarsgård. A grande dúvida que restava era exatamente quando Jane finalmente veria seu agressor. Torcia para que o encontro ocorresse na apresentação teatral e, após isso, as mulheres se unissem contra o real antagonista.

Acabou que o momento mais apreensivo ficou para a festa – que, vamos combinar, serviu muito pra mostrar que não há dinheiro no mundo que salve as pessoas da cafonice.

Toda essa tensão sobre a morte poderia ser jogada com mais força sobre os dramas das protagonistas.  A Celeste de Nicole Kidman, ao lado de Winston Churchill de John Lithgow (The Crown), está na lista dos melhores personagens levados à tela recentemente. A atriz certamente será lembrada nas próximas premiações pela marcante performance. O relacionamento abusivo, a negação, a necessidade mostrar-se feliz aos demais, a saudade do trabalho, o esforço pelos filhos. Há elementos suficientes para uma construção narrativa focada apenas nela.

Apesar de Jane também ser composta por camadas profundas, infelizmente não é conduzida de maneira tão inquietante. Ao menos é mais bem trabalhada que Renata, um desperdício da habilidade de Dern.

Com Madeline, Witherspoon traz uma espécie de versão menos envolvente de Elle de Legalmente Loira. Mesmo que, aos poucos, tenha-se empatia por ela, não há traição ou acidente de carro que salve sua trama – e seu casamento – do marasmo.

Apesar desse conjunto de pequenos problemas, é inegável que a minissérie consegue nos envolver em sua trama. Pena ficar a sensação de que ela tinha potencial para ser muito melhor.

 

Nota (0-10): 7

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