Crítica Legion S1: a insanidade ganha forma

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O que é real? Como distinguir a verdade quando sua própria mente está disposta a te enganar? Diagnosticado como esquizofrênico, David Haller ficou internado durante anos em um hospital psiquiátrico. O seu problema, no entanto, não é bem uma doença mental.

Haller, interpretado por Dan Stevens – ator presente em Downton Abbey e na recente versão em live-action de Beauty and the Beast –, é um mutante filho de Charles Xavier, de X-Men, e peça central da série Legion, criada por Noah Hawley.

Em sua primeira temporada, que tem oito episódios, a atração voltou-se totalmente para os conflitos internos do protagonista. Hawley, responsável pela adaptação televisiva de Fargo, produção simplesmente genial, novamente nos mostra como é possível construir com maestria um universo que se ajusta perfeitamente à história contada.

A aparente insanidade de David ganha forma na série, que abraça os seus delírios e os transforma em poesia visual. Poucas atrações são tão fieis à sua proposta. Poucos realizadores têm capacidade para traduzir tão bem para a tela a essência do enredo.

A fotografia, a direção de arte e a trilha sonora são trabalhadas com esmero a partir de um roteiro que nos fascina e assusta. O verdadeiro grande vilão do primeiro ano, que apenas será revelado nos episódios finais, apesar de sempre estar presente, dá arrepios. Mesmo em sua forma menos aterrorizante, é capaz de nos deixar inquietos.

Todas essas qualidades, entretanto, não impedem a série de sofrer de um mal que não pode ser deixado de lado: ela é cansativa. Apesar de trabalhada com cuidado, a luta interna de David mostra-se arrastada em alguns momentos. A repetição de cenas, mesmo que necessária, torna as coisas um pouco menos interessantes.

Além disso, o enorme espaço dado ao protagonista acaba sufocando quem está ao seu redor. Isso é bem perceptível do oitavo capítulo, quando conhecemos a família do interrogador (Hamish Linklater). Ao vermos ele ao lado do marido e do filho nos damos conta de que a série até então fez pouca questão de desenvolver as histórias de boa parte dos personagens.

Sabemos, por exemplo, que Melanie Bird (Jean Smart) aguarda a volta do marido Oliver Bird (Jemaine Clement) porque esse é um dos principais elementos da trama. Todavia, há tanto mais que poderia ser contado sobre o passado deles, como era quando estavam juntos.

Syd (Rachel Keller), par romântico de David, revela como sua família descobriu seu poder de mutante, mas poderia responder outras dúvidas como sua ida para Summerland. Aliás, pouco se fala sobre o local e o ano que a história se passa – sendo este último ponto não necessariamente ruim.

A ambientação traz elementos antigos e outros nem tanto assim, causando uma confusão estranhamente agradável, em conformidade com a aura da atração. É um entre os muitos pontos fortes que se sobrepõem aos fracos, fazem com que a espera pela segunda temporada seja angustiante.

 

Nota (0-10): 8

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