Crítica Grace and Frankie S3: vibre com elas

A primeira cena foi um tanto difícil. Robert (Martin Sheen) e Sol (Sam Waterston) finalmente contaram para Grace (Jane Fonda) e Frankie (Lily Tomlin), respectivas esposas, que eles mantinham um caso há anos e queriam o divórcio para finalmente ficarem juntos como um casal.

Se no primeiro ano de Grace and Frankie, série da Netflix criada por Marta Kauffman e Howard J. Morris, esses rearranjos tomaram boa parte do tempo, a atração pode, a partir do segundo, abrir mais espaço para novos elementos e, nesta terceira temporada, continuar expandindo sua formidável gama de assuntos.

Sabíamos desde o início que as protagonistas estavam predestinadas a virarem melhores amigas. Que abririam seu próprio negócio de vibradores para pessoas acima dos sessenta anos, isso foi uma entre tantas ótimas novidades.

Como não rir quando o primeiro grupo de testes para o produto é formado por religiosas? A palavra masturbação é, em nome de Jesus, passagem carimbada para o inferno. Que Deus as ajude – e aquela função de luzinha para o escuro, por favor.

Fonda e Tomlin novamente arrasam. Há uma química que torna crível todas as reviravoltas dessa relação tempestuosa. O resto do elenco, apesar de ofuscado, também se sai bem. A exceção fica por conta da adição de Lindsey Kraft, que vive Allison, definitivamente o ser mais deslocado na série.

A entrada de Kraft acontece devido ao maior tempo dado aos filhos das protagonistas. Nwabudike (Baron Vaughn) ganha tal namorada um tanto curiosa. Brianna (June Diane Raphael) descobre ter um coração. Coyote (Ethan Embry) finalmente tem uma casa – ou algo parecido com isso – para chamar de sua. E Mallory (Brooklyn Decker) percebe-se num casamento que a deixa extremamente infeliz.

Essas crianças que gostam de beber e fumar são necessárias para as horas de aperto vividas pelos pais. Engana-se quem pensa que velhice é só sexo e baseados. Também tem muita dor e medo – e a atração é eficaz ao mesclar os momentos dramáticos e de humor.

Uma única passagem não funcionou tão bem e pareceu longa e boba demais: as dores nas costas que levaram as duas personagens principais ao chão. Apesar de ser interessante mostrar que elas não são mais adolescentes, toda aquela guerrinha soou um pouco aquém do que a produção pode nos oferecer.

Por outro lado, a subtrama da arma escondida de Grace foi um grande acerto – entre os olhos, pra ser preciso. O motivo para ela sentir-se segura em posse de objeto tão letal foi triste e convincente.

Os novos desafios para o casal de maridos também mostraram-se interessantes. Sair do armário para a versão pé na cova da Cruella de Vil trouxe humanidade para Robert. Sol pode discutir quando é a hora de se aposentar. E os dois quebraram tudo ao protestarem contra homofóbicos que acham que o teatro não é lugar para gays – sim, só rindo.

Para terminar os treze episódios da melhor forma possível, vale ressaltar que foi escolhida uma trilha sonora muito boa. Por exemplo, Bang Bang (My Baby Shot Me Down), de Nico Veja; Bashed Out, de This Is The Kit; e River (Burns Remix), de Bishop Briggs. Abaixo, compartilho a última música. Que a próxima temporada não demore para chegar.

Nota (0-10): 9

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