Crítica Into the Badlands S1: luta e sangue

As guerras aconteceram há tanto tempo que ninguém nem ao menos lembra. Trevas e medo reinavam até a chegada dos barões, que transformaram caos em ordem. As pessoas procuravam por proteção, e tornavam-se servas. Armas foram banidas e exércitos de Clippers começaram a ser treinados. Estamos em um mundo construído à custa de muito sangue. Bem-vindos a Into the Badlands, série criada e escrita por Alfred Gough e Miles Millar.

Inspirada pela clássica fábula chinesa Journey to the West, a produção acompanha Sunny (Daniel Wu) e M.K. (Aramis Knight), mestre e aprendiz que desejam sair do domínio dos barões feudais e achar a misteriosa cidade de Azra.

O futuro apresentado é, em verdade, uma volta a um passado escravocrata e extremamente machista. Quinn (Marton Csokas), grande vilão da primeira temporada, que tem apenas seis episódios, é a encarnação perfeita do senhor sulista norte-americano. Em posição a ele – e a todos os homens que enxergam as mulheres como inferiores – temos The Widow (Emily Beecham), baronesa viúva que luta pelo seu espaço.

A história em si não é muito inovadora – até porque um dos passatempos favoritos de estúdios hollywoodianos, após explodir suas principais cidades, é imaginar como seria um mundo pós-apocalíptico cheio de desesperanças. Todavia, é contada de uma forma segura e traz cenas de ação incríveis.

Para o bem e para o mal, o roteiro transparece uma certeza de onde quer chegar. As idas e vindas dos protagonistas não são gratuitas, acabam sempre servindo para algum propósito. Isso agrada ao vermos que não é um amontoado de acontecimentos dispensáveis. Incomoda um pouco ao revelar uma linha contínua orquestrada sem chances para desvios inerentes à condição humana.

Tudo isso, no entanto, pode ser facilmente deixado de lado pelos telespectadores que gostam de lutas bem coreografadas. A mistura de gêneros de artes marciais apresentada na série traz brutalidade tarantinesca e voos vindos diretamente de O Tigre e o Dragão. As sequências de ação são dotadas de muita energia e apuro técnico. Se compararmos com uma produção recente, Sunny, de Into the Badlands, poderia dar umas boas aulas de como chutar bundas para Danny Rand (Finn Jones), de Punho de Ferro.

Há outros detalhes que também merecem nota. O figurino diz muito sobre o que estamos assistindo. Quinn e suas vestes vermelhas é quase um republicano enfrentando a democrata Widow, de azul. E não é um detalhe gratuito, já que Lydia (Orla Brady) e Jade (Sarah Bolger), companheiras do barão, optam por vestidos da cor azul em momento que ganham mais poder na trama.

Outro ponto é o amuleto de Azra. Alguém mais teve a impressão de se tratar de Nova York? Por um momento parecia ter o Empire State Building ali no meio.

Há essa e outras várias questões para serem esclarecidas. Esperamos que a segunda temporada seja ainda melhor do que a primeira.

 

Nota (0-10): 7

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