Crítica Santa Clarita Diet S1: a comédia morreu

Sheila era uma dona de casa preocupada com o casamento, o futuro da filha, o trabalho. Era, sem meias palavras, realmente chata – suas amigas são bem sinceras quanto a isso. Sem saber como, a personagem de Drew Barrymore é infectada por um vírus desconhecido e morre após tingir de amarelo as paredes da casa que tentava vender. A corretora de imóveis, no entanto, continua viva, ou algo parecido com isso. Vira zumbi, basicamente.

A situação um tanto inusitada é o primeiro atrativo de Santa Clarita Diet, série criada por Victor Fresco. Para quem cresceu assistindo nossa saudosa Elvira, a rainha das trevas, clássicos como A Volta dos Mortos Vivos e Os Fantasmas se Divertem, nada mais natural do que correr para conferir logo a nova comédia da Netflix.

Em cena, há aquela boa dose de sangue e vômito que tanto sentimos falta, tripas humanas mais expostas do que o Temer em delação premiada, dedos e demais partes do corpo tão perdidos quanto a nossa motivação nas manhãs de segunda-feira. Por mais que a protagonista não tenha aquele brilho trash delicioso de Divine em Pink Flamingos, dá conta do papel – até porque, como veremos a partir de agora, não há muito para dar conta.

A comédia, que deveria nos fazer rir, morreu com Sheila. E não há suco de restos humanos que salve a situação; não há careta alguma de Joel (Timothy Olyphant) que vá além do constrangimento; não há rebeldia alguma Abby (Liv Hewson) que faça a gente deixar de pensar que um meme da Inês Brasil seria mais eletrizante.

O que há é certa artificialidade do elenco em boa parte das cenas – e não aquela saudável de atores de filme B que estão ali só para pagar o aluguel atrasado, é uma de quem não entendeu muito que o espírito da coisa está mais para cultuar o pacto com o demônio que a Xuxa fez do que a nova seleção de filmes independentes amados pela crítica especializada.

Vamos combinar que a direção e o roteiro têm culpa. Como diria BRASIL, Inês, é preciso “menas conversa e botar mais profissionalidade”. É possível dormir facilmente a cada diálogo com aqueles vizinhos policiais chatos. Nem as piadas picantes de Lisa (Mary Elizabeth Ellis) ajudam. Quem salva um pouco é o Eric (Skyler Gisondo), que está na puberdade e é fofinho quando fica sem graça. Vale ressaltar que aquele robozinho construído por ele é trouxa.

Voltando para o núcleo da família Hammond: em praticamente todos os capítulos, Sheila e Joel divergem para, pouco tempo depois, mudarem de opinião, verem que o amor é maior que tudo. A partir da segunda vez que o draminha deles é repetido, a vontade que dá é de chamar o Edward pra dar umas boas tesouradas neles.

Acaba que, passados os dez episódios, o que a gente mais quer é começar uma maratona de American Horror Story. Rever Lua de Cristal também é uma opção.

 

Nota (0-10): 3

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