Crítica Please Like Me S4: humor com naturalidade

Josh e Arnold decidem ter um relacionamento aberto. Durante uma festa, conhecem um rapaz qualquer, que topa fazer sexo a três. No entanto, as coisas não saem tão bem como esperado, pois o personagem principal é deixado de lado enquanto seu namorado se diverte.

Please Like Me, série australiana criada, protagonizada, escrita e por vezes dirigida por Josh Thomas, tem como principal trunfo da quarta temporada o mesmo das anteriores: a naturalidade com que aborda todos os temas, até mesmo os ainda inquietantes em nossa sociedade.

Após assistir a um episódio, geralmente a pergunta é a mesma: como a atração consegue transitar tão facilmente, de maneira despretensiosa, de um humor deliciosamente estranho para cenas dramaticamente desoladoras? A montanha-russa de emoções foi potencializada no último ano, que tem apenas seis capítulos.

Além de abordar diferentes nuances de relacionamento, a atração trouxe para primeiro plano a bipolaridade e o suicídio. A incapacidade de Josh de lidar com esses assuntos suscita muitos questionamentos. Em um mundo no qual a dor se alastra muitas vezes de maneira silenciosa, não raro nos falta poder de compreensão. Outras vezes, simplesmente não há vontade alguma de conviver com o que nos causa desconforto.

Em Burrito Bowl, quinto episódio deste ano e certamente um dos mais impactantes da série, foi encerrada uma despedida que começou em Degustation. Nos dois capítulos, o roteiro soube trabalhar com cuidado o tchau mais doloroso que tivemos de dar. Por sinal, o quarto episódio lembrou Scroggin, da segunda temporada, que focou apenas no relacionamento de Josh e sua mãe, interpretada por Debra Lawrance. Costuma ser um acerto em cheio quando a produção muda a dinâmica, focando em poucos personagens para lapidar suas relações.

Tarefa fácil, já que, ao lado de Josh e do cão John, Alan (David Roberts), Tom (Thomas Ward), Hannah (Hannah Gadsby) e Ella (Emily Barclay) são envolventes. A última, aliás, é um grande avanço se comparada com Niamh (Nikita Leigh-Pritchard), que era simplesmente insuportável.

De todo o material apresentado, apenas uma cena faz com que o maior trunfo da atração cause desconforto. Após fazer um teste rápido de HIV, Josh conta para Tom que o resultado deu negativo. O amigo, em resposta, pergunta se ele tem certeza disso, dando a entender que qualquer traço negativo de seu comportamento seria um indicativo de que ele seja portador do vírus.

A piada realmente incomoda, já que há um grande preconceito com soropositivos. Looking, série com Jonathan Grof, causou, por exemplo, reclamações após uma abordagem inapropriada do assunto. Em Please Like Me não foi tão ruim, mas poderia haver mais sensibilidade com um tema não recorrente no show.

Excluindo essa cena em particular, que é discutível, nos foi apresentado um ano espetacular. A série demonstra estar cada vez mais madura e disposta a correr riscos.

 

Nota (0-10): 9

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