Crítica Luke Cage S1: representatividade como principal trunfo

Para quem cresceu assistindo Smallville e tentou, de verdade, acompanhar trabalhos como Arrow e The Flash, a parceria entre Marvel e Netflix mostra-se um marco para o gênero de super-heróis. Saem de cena os vilões da semana, que surgem e morrem em menos de quarenta minutos, e entram histórias construídas com cuidado, que buscam desenvolvimento coeso e tensão crescente no decorrer dos episódios.

Luke Cage, de Cheo Hodari Coker, não foge da nova linha. A série é eficaz ao trabalhar a relação entre os personagens, ao desenvolver as cenas de ação e, seu maior trunfo, ser mais uma prova de que a Netflix preocupa-se com representatividade.

Quase todos os protagonistas são negros, assim como o comandante da produção. A série é, ao lado de atrações como Empire e Black-ish, uma reafirmação de orgulho, que ganhou destaque com o surgimento do movimento blaxploitation, na década de 1970.

Dos diálogos à música – que tem grande espaço na trama –, o trabalho busca incorporar a alma do Harlem, com suas virtudes e seus defeitos. Dá vigor a uma obra que não teria a metade do brilho que tem caso não se preocupasse com tantos detalhes.

Infelizmente, por mais que seja uma ótima série, não foge de alguns tropeços. Se Rosario Dawson (Claire), Simone Missick (Misty) e Alfre Woodard (Mariah) atuam muito bem em todas as cenas, o mesmo não pode ser dito para parte do elenco masculino. Mike Colter (Luke), apesar de se encaixar perfeitamente no papel, não mostra grande desempenho nas poucas cenas de drama que tem. Theo Rossi (Shades) se sai bem pior: sua participação é maçante e, após duas ou três tiradas de óculos do rosto, dá raiva tamanha inexpressividade. Erik LaRay Harvey (Stryker) e Mahershala Ali (Cornell) são ótimos, pena o roteiro insistir em diminuí-los.

O maior defeito desta temporada é a falta de um grande vilão que rivalize com Cage. Cornell acaba sendo apenas uma versão mais burra de Wilson Fisk – o que é muito pouco, levando em conta certa repetição de tema e a diferença de força entre o Demolidor e o herói da vez. Mariah nunca chega ao ponto de empolgar como inimiga. Stryker é introduzido de forma tardia e só ganha um grande confronto com o protagonista após cometer várias sandices que soam um tanto baratas.

Falando em loucuras, gostaria de enfatizar que os frequentadores do Harlem’s Paradise são extremamente corajosos, já que ali tem mais tiroteio do que festa. Isso me faz lembrar que faltaram cenas de humor como aquela na qual uma pessoa é presa dentro do contêiner de lixo.

Assim como Jessica Jones, que se arrastou um pouco no seu desenvolver, a série Luke Cage talvez fosse entregue sem seus problemas pontuais se tivesse dois ou três episódios a menos. Independentemente disso, é mais um acerto e, ao final, constrói um ótimo gancho para a continuidade da história.

 

Nota (0-10): 7

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