Crítica Easy S1: fragmentos inexpressivos

A execução de uma série é, de certa forma, parecida com uma exibição de ginástica artística. Ao apresentar o trabalho, você tem uma nota de saída levando em conta as manobras que fará. Game of Thrones, por exemplo, com toda sua riqueza de detalhes e um argumento que foge do trivial, tem a mais alta pontuação de partida possível. Se cometer erros no decorrer do percurso, vai descontando até chegar ao nível final. Claro que surpresas positivas pelo caminho mudam as regras do jogo, pois é possível ganhar pontos também. Todavia, de maneira geral, determinados produtos, mesmo alcançando excelência no que entregam, não são os melhores porque simplesmente não há complexidade no que apresentam.

Easy, série criada por Joe Swanberg, poderia, no seu máximo, ganhar um oito. Sua premissa é mostrar a intimidade de diferentes casais de Chicago. O melhor episódio, que é o segundo, conta a história de uma jovem e sua cinderela vegana. O único problema da narrativa é aquele que enfraquece o trabalho num todo, a necessidade de dar um desfecho apropriado em apenas meia hora.

Todos os fragmentos de relações amorosas não são desenvolvidos de maneira consistente. Há discussões de assuntos importantes. Entretanto, acaba que, ao final, forma-se um conjunto um tanto estéril e inexpressivo.

O melhor das séries televisivas é ter o tempo que for preciso para construir a história. Acaba não fazendo muito sentido você usar esse formato para dar vida a passagens que não trabalham bem em conjunto.

Estou dizendo que não há como fazer uma boa série contando diferentes enredos em cada capítulo? Não é isso. Black Mirror é um exemplo bem-sucedido. Esta, todavia, traz situações bem mais curiosas e da ênfase na mensagem que quer passar. Urso branco, episódio da segunda temporada no qual uma menina acorda sem lembrar de nada e é perseguida, é brilhante. Sua mensagem é eficaz. O único problema é que os personagens trabalham exclusivamente para a mensagem.

Isso definitivamente não funciona em Easy, pois se trata de momentos íntimos e corriqueiros. É preciso de certa cumplicidade com o casal para compreender a dinâmica dos acontecimentos e sentir algo.

É uma pena não surtir o efeito desejado, já que, como dito anteriormente, há ótimos assuntos abordados. Provavelmente seria mais eficaz se tivéssemos menos personagens e relações que se cruzam de maneira mais intrigante.

 

Nota (0-10): 5

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